Uma introdução ao Rock de Londrina
A você leitor incauto, que a partir deste momento começa a ler este rol de memórias escritas e registradas em imagem, não saberia o porquê ou qual motivos me levaram até o momento a debruçar-me um bom tempo em páginas e mais páginas de memórias pessoais, relatos tirados de páginas dos jornais de Londrina, depoimentos passados por e-mail de antigos colegas de caminhada e atualizados neste blog diariamente.Diriam os mais esquecidos que talvez se trata de um “caboclo” saudosista que não reside em Londrina há dez anos e que por uma circunstância particular, decidiu colocar em prática o que sua memória ativa e estimulada por cafeína registrou do que restou de sua alma “pé vermelha”. Por hábito de exercitar um pensamento puramente otimista e despreocupado de criticas estético-literárias ou acadêmicas e por conta destes acasos da vida, encontrava-me na cidade do Rio de Janeiro a serviço de uma empresa de “outsourcing” e residindo no bairro do Catete, com minha rotina habitual de idas e vindas a centro do Rio em sua voluptuosidade das “motos e fuscas que avançam os sinais vermelhos e perde os verdes” que tanto cantou Caetano Veloso no seu clássico álbum “Velo” de 1985.Vendo os painéis do grupo Armazém de Teatro no centro do Rio de Janeiro com o anúncio da turnê dos vinte anos de existência desta trupe maravilhosa que entre outros se destacam Patrícia Selonk e Simone Mazzer , os outdoors e lambe-lambes promovendo o trabalho do Ivo Pessoa com seu DVD “Novelas” por toda a região da Baia de Guanabara, mas o tempo precioso que passei na cantina “Portugália” no Largo do Machado bebericando um chopp com meu amigo e músico Londrinense da Sinfônica Petrobrás Pedro Paiva e a visitas inesperadas do percussionista e baterista Rodrigo Serra e do Jornalista Rogério Fischer, de certo modo estimularam e motivaram-me, a passar as noites “calorentas” do Catete na frente de meu computador a relembrar as histórias do Beco, do RU, da Uel, das festas da Metamorfose, dos shows no Zaqueu,no Zerão,na Concha Acústica,do Canadá,na chácara da Coca-Cola,no Rancho Kentucky em Rolândia e as intermináveis indas e vindas a Prudente,Assis,Bauru,Ribeirão Preto,Tupã,Maringá,Cornélio,Rolândia,Umuarama,Paranavaí entre outras cidades naquela época.Todas estas memórias quando evocadas neste Blog parece-me que causaram uma comoção, meio que ativaram o inconsciente coletivo de muita gente de Londrina que passou a relembrar outras histórias passadas na mesma época e que todos vocês podem acessar.Esta memória que chamo de “O Rock de Londrina” não é nada mais que aquele momento da vida que ficou gravada naquela geração, daquele grupo de pessoas, naquele momento particular e mesmo que muitas daquelas bandas e imagens não sejam musicais em suas particularidades, elas parecem estar sendo bem vindas nos muito depoimentos e agradecimentos que tenho recebido por e-mail e parecem cada vez mais me estimular para realização de algo que tem haver com o real talento da cidade de Londrina, sua real missão, seu real valor.Pode parecer meio visionário demais está definição, mas não o foi quando Arrigo Barnabé saiu de Londrina para realizar no Lira Paulistana a visão de uma vanguarda artística e musical em São Paulo.Não o foi quando Mario Bortolloto saiu de Londrina e realizou a Companhia de Teatro Cemitério de Automóveis no bexiga, nem o foi quando Rodrigo Garcia Lopes saiu de Londrina para ir entrevistar Frank Zappa, Allen Ginsberg e Jonh Fante nos Estados UnidosDigo então, que ao ser um trabalho de “hobbie”,vem a ser nada mais do que um exercício de escrita tantas vezes corrigidas no meu falar e escrever por parentes,amigos jornalistas,namoradas e colegas de profissão durantes estes trinta e sete anos de música. Todo este pessoal que esteve na década de 80 e 90 fazendo arte, simplesmente sonhou em ser reverenciado na sua cidade, querem ser reconhecidos e lembrados pelos Londrinenses como tendo feito algo de valor si próprios e para os seus.Agora, falar de min, de minhas pequenas ambições que há época era o de adentrar ao jornalismo cultural é simplesmente uma ínfima parte deste blog.Os fatos e situações lembrados e atualizados no site na verdade remontam a uma história que era contada por aqueles que viviam em Londrina já na época.Hoje estas “Lendas Urbanas” com protagonistas e protagonizados como os de um dos palcos da extinta sede da Companhia Armazém,onde muitas vezes as bandas lá se reunião para tocar nas festas do grupo, tornam-se realidade por que existiu gente que viu, ouviu e tocou nestes e para estes momentos.Minha atuação até este ponto se deu particularmente, porque seguia os rastros de muitos heróis como Roberto Muggiati, Ana Maria Bahiana e José Emílio Rondeau e isto sinceramente era apenas a faísca de um sonho que não é nada se comparado ao que cometi durante todos estes anos.Meus pecados, se assim confesso se concretizaram assim: “Me comprometi à música ao ter comprado via reembolso postal o clássico “Rock a música do Século XX” da Rio Gráfica Editora e ter lido de cabo a rabo os dois volumes bem como ter registrado na memória a discografia completa contida nela,me comprometi ao ter caixas e mais caixas repletos de revistas de rock como Pipoca Moderna,Pop,Bizz,Metal,Rock Brigade(na época em que ainda era um fanzine), me comprometi ao ter enviado e trocado correspondência com fã clubes de diversas bandas, ao ter adquirido meu primeiro “kit” de bateria aos 14 anos na Discolândia em Foz de Iguaçu e de lá sair de uma pequena cidade chamada Barracão com uma banda que gravou um vídeo clip quando tinha 15 anos de idade,tudo isso em pleno interior do Paraná.”Seria então diferente se tudo isso ocorresse com outra pessoa? Eu,sinceramente creio que teria sido algo que mexeria com a cabeça de qualquer um.E descobrir em pleno 1987 que como eu em Londrina haveriam diversos na mesma condição, não foi nenhuma novidade.Lembro-me que a época os aficionados como eu, comentando sobre o mais recente álbum do Metallica, o Garage Inc.Dos comentários sobre quem foi no show do Echo&The Bunnymen em São Paulo e das diversas casas de rock da época como o Aeroanta.Da comoção causada pelo lançamento do “The Joshua Tree” do U2 e óbvio da febre que era estar na telinha as quintas feiras, asistindo ao “Armação Ilimitada” na Globo com aquela abertura com o riff de guitarra da banda inglesa Fastway e de assistir a “TV Pirata” e ao “Perdidos na Noite” do na época apresentador Fausto Silva.De ir com os amigos ao Pastel Mel e de comer aos domingos no Musamar .Coisas que só o ano de 1987 fizeram.Naquela época ser adolescente não é como hoje, cheios de baladas,piercings e tatoos,diversidades sexuais e opinativas.Eram tempos bem mais inocentes e o único cano de escape que tínhamos, a única forma de rebelião sadia e que não iria descontentar a quem quer que fosse era a música.Sim, um mundo próprio, bem como no filme “Wayne’s World”com Mike Myers.Aquela diversão da garota dos sonhos aparecendo na lanchonete(o meu era a “Betina”, que era a garota de óculos que ficava ao fundo da classe no universitário), o sonho de consumo de uma fender stratocaster(o meu era um Ludwig Super Classic com pratos Paiste),aquela sensação de um mundinho próprio intocado, inacessível à estranhos e curiosos.Mas ao mesmo tempo havia em min uma necessidade de que todos aqueles acontecimentos até então, iriam ficar para a posteridade como uma marca, um registro, algo gravado no etéreo, pois é o que fazem os historiadores,jornalistas e demais profissionais da área de humanas em todo o canto.Muitas vezes, fui eu e meu pequeno gravador, registrando estes momentos para que eles se eternizassem.Mas devo admitir que conheci gente que era mestre neste assunto.O Ranulfo Pedreiro era um destes.O Preto, como nós os amigos o chamamos é outro daqueles “dicionários ambulantes da música” que caminham anônimos pela cidade de Londrina atrás de uma boa história.Não desmerecendo o trabalho de grandes jornalistas de Londrina como o Mario Fragoso, Rogério Fischer, o Nelson Sato, as crônicas do Paulo Briguet, o Preto é o tipo do músico que escreve bem, que como eu é “rei” para desenterrar bandas, álbuns e histórias lendárias absolutamente do nada e fazer disso uma grande matéria de jornal ou até mesmo um livro.Uma das razões aparentes de vocês verem citações dele publicadas no Jornal de Londrina e na Folha aqui no blog é pela admiração e pela iniciativa dele de ombrear conosco durante todo este tempo, promovendo, anunciando as bandas e os artistas de Londrina.
O ROCK DE LONDRINA DE 1988 À 1999
Por Kadú Guariente
"Somos os Filhos da Revolução/Somos Burgueses sem Religião/Somos o futuro da Nação/Geração Coca-Cola”(Renato Russo)
Intro
Esqueçam os DJs e suas pick-ups por um momento.Façamos aquela pausa para a memória regredir à uma década e meia atrás, para que possamos entender o que vemos hoje na ressusitada “Rolling Stone” e na bem menos previlegiada Bizz.Em meio à contextualização abaixo, Skatistas,grafiteiros,filhinhos de papai com suas guitarras flying V e seus tênis All-Star, terminam os anos 80 mais ou menos assim:U2 é a banda do momento,nesta época já não se vê mais camisetas do Iron Maiden,elas começão a ser substituídas pelo do Metallica e do Guns’n’Roses, o blues começa a ser revisitado em cada esquina de Londrina(já o era nos tempos antigos de Valentino ao som de Janis Joplin,do pop do Steely Dan e de Bob Dylan), nos bares ao som de Stevie Ray Vaughan,Buddy Guy e George Throrogood.Tudo isso por que existia uma ilha de salvação para aqueles que detestavam a música sertaneja e o pagode.Sim, existia o Asylo Hotel, programa de rádio apresentado pelo Paulão Rock n Roll, um tarado por Frank Zappa e por qualquer coisa que viesse do rock: de Beatles à Slayer.Aliás, o mesmo fora o criador do primeiro "Woodstock Londrinense": O Colher de Chá,que sob sua direção trouxe em plena década de setenta os Mutantes e Tony Osanah à Cambé, fato este que merecera um capítulo mais à frente.Havia uma família de irmãos maluquinhos na rua João Cândido naquela época. O mais velho guitarrista de jazz incondicional,adepto do free-jazz Guto Caminhoto,que como guitarrista participou em grupos locais (incluindo o Essência e o Monjolo) e quem nos dá um detalhe sobre esta banda é o compositor Victor Lazarini:"Tambem na pré-historia da sua historia tem o essência (84-86), primeiro com Guto, Junior e Luis Picolo (bateria) (84), depois com um outro baterista(85), depois com Edu Batistela(86) mais Vagner (percussao)e eu (piano, synth). Tem uma gravacao do concerto de 1986 no Filadelfia, que esta com o Guto (quer dizer, inacessivel), e algumas caseiras.Em 1986, juntaram-se ao grupo o percussionista Vagner Nogueira e o tecladista Victor Lazzarini. Fizeram um show memorável no Teatro Filadélfia. Desta safra, existe uma gravação que sobrevive, podemos ouvi-la aqui .Depois ainda no começo de 1987, mudaram de baterista de novo, com André Gimenez, e fizeram alguns shows em trio (sem percussão ou teclados, já que Victor se mandara para a Unicamp e Vagner estava ocupado com outros projetos).De lá adiante, os dois irmãos tiveram trajetórias distintas. O Guto mudou-se para São Paulo onde se voltou ao Free-Jazz e o Junior, mudou de instrumento e decidiu se dedicar ao Blues como guitarrista. Sabe-se lá onde andam e o que fazem por estes dias, já que se vão mais de vinte anos desde então."Tendo tocado com os músicos Wagner Nogueira, Victor Lazzarini, André Gimenez, Luís Pícolo, Edu Batistela, Sidney Giovenazzi, Renato Alves, Cândido Júnior, Paulo Turko, Karin Melo, e outros colegas(atualmente é um repeitado compositor de música eletro-acústica e contemporânea),tinha o seu irmão caçula e baixista instrumental, Júnior Caminhoto como colega de composições e apresentações, tanto que este depois de uma metamorfose anárquico-musical ele troca seu baixo fender jazz bass, por uma guitarra de luthier e encarna o espírito do mississipi.Sinceramente como qualquer garoto idade deles, eles começaram ouvindo coisas como AC/DC,Cactus e Jeff Beck.Mas a cena era demasiadamente vanguardista para os mesmos ficarem nos três acordes.Enquanto um irmão decidiu viajar nas harmonias intrincadas e sons inusitados para a música, o outro pretendeu as cinco notas da pentatônica como válvula de escape. Gigo, mais tarde seu comparsa na aventura bluesistica, na década de oitenta já havia passado por todas as experiências de alteração de consciência possíveis e começa a se interessar pela harmônica blues.Já no outro lado da cidade,alguns moleques do Marista, já se arriscavam na árdua aventura de acompanhar o boom do Rock nacional dos anos 80.Quem nos dá esta revelação é o Victor:"o Ivo(Pessoa) era o cantor da banda Santo Presepio por volta de 1985, com o Andre Gimenez(mais tarde estudou na Faam/Sp e deu aulas no curso de música da Uel) na bateria, Kleber Veridiano(Guitarrista que chegou a produzir um album do Tom Zé&Gereba,onde Tom Zé homenageia o Neto,ex jogador do Corinthians) o filho do dono da Farmacia Dom Bosco lá da Av.Maringá na guitarra e Lucilio no baixo(Promotor Público, hoje lider da banda de Paranaguá RockBrothers). Eles foram responsáveis por classicos como 'Roqueiro Burgues' e'Lixo Cultural':Lixo Cultural até pode ser/pode nos chamar assim/mas ha' um pouco de nós em você.Letra do saudoso Silvião Georgeto, poeta, bebado e promotor."O Metal cada vez mais podre e veloz, elevava os mineiros do Sepultura a status de banda internacional. Em Londrina bandas como Nix e Caça Níqueis percebem que a hora é boa.O Nix foi formado pelos comparsas Marcelo,Alexandre Bressan e pelo batera Beto “Moleza”,este núcleo veio a se transformar na banda Convulsão liderada pelo então colega Marcos Tureta junto com o ex Nix Marcelo(depois substituido por Marcelo Domingues,hoje o famoso General Urko da banda Trilobit),fazendo com que mais tarde o próprio Bressan formasse o Core, uma versão Trash Metal e com músicos de alto calibre no estilo.Marquinho mais tarde depois de formado em música pela UEL, veio a trabalhar com a Cia. de Dança de Londrina, especializando-se em Trilhas para teatro.Um pouco antes tentou um projeto de Rock Progressivo como me conta o André Luiz(André que era o nosso monitor nas aulas da Fátima Levy no curso de música da UEL):"Deve haver alguma coisa nos arquivos da folha de londrina, me lembro que fizeram uma matéria na época... sobre a banda Anestesia, que o Tureta e o Vander (ibiporã) montaram pra fazer rock progressivo, me chamaram, pra que eu tocasse flautas e instrumentos medievais. No fim, ficamos eu, o Turetta, o Rodrigo Serra (babalú - batera) e o Valdir (bx)".Mas o melhor só aconteceria agora em 2007.A banda do nosso amigo "Tico" a gloriosa Gólgota, uma das sobreviventes dos porões da vila Cazone deu o ar da graça novamente o ano passaso, remontada para ser lançada na Italia e quem me contou esta história foi o memorável "Preto" no Jornal de Londrina:"Quem era adolescente nos anos 80 é capaz de se lembrar. Na Rua Paranaguá havia uma lanchonete chamada Creme de Leite e, eventualmente, a rua era fechada para shows ao vivo. As bandas da cidade tocavam ali, em espaço aberto, enquanto as tribos se misturavam: punks, headbangers, skatistas. Desse cenário participaram bandas como Nix e Gólgota.Vinte anos se passaram e eis que o Gólgota está de volta. E a formação é híbrida, reunindo Bruno Iglesias, guitarrista do Gólgota original, e Beto Jorge(o moleza), ex-baterista do Nix. Para completar o power trio, Fernando Morczak assume o baixo. É heavy metal oitentista com tecnologia do século 21.Há uns meses, Bruno Iglesias conversou com um empresário italiano. Mostrou algumas produções e o sujeito se interessou em lançar o material na Europa. Houve, então, uma corrida contra o tempo. Era preciso colocar a banda em estúdio, gravar e cuidar da parte gráfica a tempo. E tudo precisava ter um padrão internacional.As sessões de estúdio atrasaram e o prazo venceu. Mas o Gólgota ficou com um ótimo material nas mãos, o CD Selvagem, que registra a nova fase e mostra que o heavy metal não parou de circular nas veias daqueles garotos que freqüentavam o Creme de Leite.O tempo foi prodigioso: a ansiedade adolescente foi substituída pelo profissionalismo. Antes de partir para os shows, o Gólgota já estava com um CD nas mãos. E com um equipamento completamente digitalizado que aboliu, por exemplo, o amplificador. Como é?Vejam só: guitarra, baixo e bateria são ligados em módulos e em uma mesa digital. Essa estrutura mantém o som do Gólgota linear onde quer que eles toquem, porque não está mais sujeita à variedade de amplificadores nem sempre audíveis do universo underground.A bateria, por exemplo, é toda digital: o som não sai da caixa ou do bumbo, mas do módulo. No meio do show, por exemplo, todo o grupo troca de afinação. Para isso, basta apertar um botão da mesa digital – o mapa de som está lá, todo programado. É uma tecnologia que dá adeus às passagens de som ou aos eternos “alô, som” que irritam o público antes dos shows.Mais do que a tecnologia, porém, o Gólgota volta com garra para buscar um lugar ao sol. O grupo já esteve em São Paulo buscando espaço nas gravadoras, mas constatou que o underground anda em recessão tanto aqui quanto lá. “Em São Paulo, a coisa está do mesmo jeito que aqui. O underground sempre foi formado pelas bandas que não estouraram ainda, mas o público não quer mais saber de bandas novas, só querem banas consagradas – e as bandas consagradas não são underground”, ressalta Bruno Iglesias.A saída, então, é o mercado europeu. Bruno Iglesias pretende embarcar no mês que vem para a Itália, onde vai reencontrar o produtor. E ver se ainda existem chances de viver de rock´n´roll."(25/07/2007 Ranulfo Pedreiro. Jornal de Londrina/RPC)
CAÇA NÍQUEIS
O Caça Níqueis foi a banda que abriu aquela fatídica noite no Ouro Verde na década de 80 quando do show dos Dinossaúricos Made In Brazil.A lenda conta que os “Metaleiros de Plantão” destruíram completamente o teatro, fazendo com que a secretaria de cultura fechasse o recinto por tempo indeterminado para este tipo de evento,júnior guitarra a época era o próprio "Hendrix" Londrinense,mas deixo para um expert no assunto a história desta lendária banda:"Caça-Níquel, o rock n’roll pé-vermelho com orgulhoAs guitarras eram de madeira maciça. O melhor modelo era o Giannini Stratocaster, geralmente com captador envenenado no fundo do quintal. O pedal de distorção mais usado parecia um tijolo com um acelerador em cima. Era o Sound 2, que imitava o wah-wah de Jimi Hendrix. Instrumento importado? Nem em sonho.Todo o equipamento do Caça-Níquel era amontoado na Belina vermelha de Júnior Guitar que, eventualmente, pifava na estrada (a Belina). “Hoje o pessoal não sabe do Caça-Níquel, mas a gente tinha público, nós gostávamos de estar no palco. Teve show em que a platéia jogava a gente para cima”, recorda-se o guitarrista.A banda começou com um encontro de gerações, nos idos de 75 ou 76, quando o veterano J.Jorge (ex-Radio City) topou tocar com o novato Júnior. “Era praticamente a primeira banda de Londrina cantando em português e falando do cotidiano da cidade, não tinha uma banda dedicada a fazer só rock”, ressalta Júnior. O Caça-Níquel surgiu como um trio: J.Jorge, Júnior e Marquinhos na bateria.No começo dos anos 80, o Caça-Níquel conheceu os veteranos do Made in Brazil. O grupo paulistano fez um show no Ouro Verde com abertura do Caça-Níquel. As duas bandas incendiaram o público, que se descontrolou e passou a quebrar as cadeiras do cine-teatro. O episódio causou polêmica em jornais e tevês. “Quebraram umas poltronas e, de uma maneira ou outra, isso acabou divulgando a gente”, lembra Júnior. Depois de várias formações, o Caça-Níquel terminou por volta de 1989.Músicas passavam pela censura“Acho que vou ter que mudar o planeta/ Ou então vou virar careta”. Nem parece, mas versos como este, de Eu gosto de rock, passavam pela Censura Federal. As músicas que o Caça-Níquel tocava no início de carreira eram liberadas logo, porque não eram consideradas “de protesto”. O repertório da Senta a Pua traz ainda Gatinhas da Higienópolis (com letra de Paulão Rock n’Roll) e Pé na estrada (de J.Jorge), que inspirou o festival de mesmo nome no Teatro Filadélfia por volta de 78/79. O guitarrista J.Jorge morreu no ano passado, em Cuiabá. "(04/2008-Ranulfo Pedreiro. Jornal de Londrina/RPC)Era a época também de guitarristas como o Guides e Paulinho Wesley,Azael Lima e de bateras como o Gilson Corsalleti que veio do Clam em São Paulo depois de ter cursado psicologia na Uel trazendo toda a sua experiência de ensino musical fundando o Curso Ritmo em 1999,e o Paganini que já atacava em casas como o Clube da Esquina,Paddock e Coração Melão junto do ainda iniciante Edú Batistela. Tecladistas como o Nelsinho Vieira, egresso dos festival "Colher de Chá" que aconteceu em Cambé em 1972, onde os Mutantes,Tony Osanah e Joelho de Porco invadiram a praia e a cabeça da rapaziada Londrinense.Voltando ao Metal a meta era São Paulo à vista, quilos de cabelos e jaquetas de couro.Do outro lado, mas dividindo o mesmo território o jovem baixista Roberto Asso liderava o Trio de Punk Rock “Lepra” , levando o punk da Agent Orange, Varukers e do Hüsker Dü direto dos amplificadores Gianini para os ouvidos teenagers do Universitário na JK.Roberto Asso relembra:"então..cara..nesses anos todos...eu nunca deixei, de certa forma, de sempre estar tocando..desde aquele sultan of swing com O Luciano no universitário lembra da gente??..ai com o Lepra...depois toquei com diversos camaradas desse pessoal todo...com os irmãos galbiati..no aborígenes...depois mais tarde um pouco..toquei durante 5 anos com os acústicos y gurerreros...e em 2004 mais ou menos..deixei a banda e parei de tocar assim digamos profissionalmente....hj em dia eu faço um som com esse pessoal do Grupo sansey..em apresentações esporádicas..." Pelas ruas de Londrina "Os Quatro Refens", banda em que partipavam o jovem Zé Roberto e o experiente Rei(oriundo dos grupos da jovem guarda de Londrina)acompanham o Boom do Rock Nacional entre um e outro show dos Paralamas,Titãs,Legião ou Capital de passagem por Londrina(mais precisamente no Moringão).Segundo o Rogério Oliveira, baterista Londrinense e meu contemporâneo a história é mais ou menos esta:"O Rei é das antigas tocou nas principais bandas de Londrina " Os 4 Reféns" a banda mais inovadora do Pop Rock ( Rei - Guitarra, Roney - Batera, Willam - Baixo e Zé Roberto - Vocal) Tocou tambén no "Virus do ipiranga "( Geraldo- voz, Marcos - Baixo, Toninho - Batera ) depois surgiu o Evita Péron - pioneira em recursos e inserções teatrais... feliz de quem viu: Elton Mello (guitar), Marcão (bass), Toninho (drums) e Geraldo Magela (vocal)...e que vocal..inesquecível...tanto que é inaceitável que tenha parado de cantar. Ai entrou a simone Mazzer e mudou o nome para Chaminé). O rei hoje tem uma banda que chama-se "Liga Protestante 02" Fusão de Hip hop com Jazz ( Luis Marcelo batera, Mizão Guitar,Flavio Nunes Baixo Acústico,Gisele silva voz Aline Silva voz.) (agora não sei se essa última tá de pé, mas com certeza foi a última. Imigrantes - a mais consistente, o som mais limpo, o cover mais bem tirado e a dupla de vocais mais afinada que o rock/pop Londrinense teve e que DIFICILMENTE terá novamente: Fernando Badaró (já encantava serpentes com o baixo), Fábio Vaca (guitar), Toninho(drums), Vilson e Zé Roberto nos vocais (is quis vocais !!..PQP)o Negrette tocou numa banda com o Edu Batistela,mas não me lembro o nome, e tocou, no Rebelião com o Geraldo - Voz, Rodolfo Guita (depois Refugiados), Pacheco Batera".Aliás, o Pacheco foi mais dos grandes bateristas Londrinenses e que por conta de um acidente fatal quando ia com seu carro a um baile em Maringá,deixou vários espectadores e alunos orfãos.
O colega Ronaldo Kikumoto que como eu viveu e absorveu toda aquela época do "boom" do rock nacional e das bandas de garagem(principalmente as de Londrina), foi um pouco mais longe:"Mesmo muito novo na época, participei, vendo a movimentacão aqui em casa, vendo alguns shows (Grêmio, Concha Acústica, Calçadão, Zerão(?) e gostava muito, aliás gosto, ouço as mesmas bandas (rock Brasil 80, inspiração de muitos daquela época) e as mesmas músicas até hoje.A banda Rebelião foi formada por volta de 1986. Os primeiros ensaios foram na casa de meus pais, num dos quartos, depois transferidos para a garagem. Testemunhei, pois meu irmão César Kikumoto tocava guitarra, juntamente com Geraldo (voz), Rodolfo (guitarra), Flávio (bateria), Claudenir "negão", "negrete" (baixo). Posteriormente o Flávio foi substituído por outro baterista que não me lembro se foi imediatamente o finado Pacheco.Após o término da "Rebelião", meu irmão foi tocar contrabaixo com o Elton Mello e o Fernando no Orgia, posteriomente rebatizado como Pauta de Metal. Geraldo acho que foi para o Vírus do Ipiranga. Rodolfo foi para o Refugiados que tinha o Fernando no vocal, Marcelo no Baixo e não me lembro quem tocava bateria (me lembro que eles tocavam bastante TNT). Claudenir não me lembro bem se foi direto para o Pequena Londres ou para outra banda.Lhe escrevo só para se possível constar o nome de meu irmão, que apesar de ser uma pessoa sempre na dele, teve importante participação desta heróica fase juntamente com os demais, e por que não dizer pioneira no ROCK LONDRINENSE " Paralelo a estas histórias, na minha história entram bandas como o Lepra, do Robertinho Asso e do Fabiano e se não me engano o Yves(respectivamente baixo e bateria e guitarra da banda)que detonavam os amplificadores e que depois fizeram junto do Nix e de mais uma banda montada pelo guitarrista Guides com o Edú Batistela(já arrepiando nas baquetas) para um show que eles fizeram no Moringão(é,não é de hoje que estes festivais de Rock animavam a cidade...),Quem nos deu um super depoimento que queremos registrar aqui foi o Beto Pepeta que participou de uma das formações do NIX e relembra com sucesso a trajetória da primeira banda de metal Londrinense:
NIX
"O Nix não era só o Bressan, o Moleza e o Marcelo. O Nix contava com o Marcos Miranda também na guitarra, aliás um dos guitarristas mais talentosos daquela geração. Eventualmente o Marcos saiu, o Hélder passou brevemente pela banda e eu entrei em seu lugar, Beto (Pepeta).Tocavamos frequentemente no creme de leite e em qualquer buraco que nos aceitavam heheh.Destaca-se a abertura para o Sepultura no Moringão, casa cheia no grêmio e festivais em outras cidades.O Nix por uma única vez teve um vocalista em um show, não foi muito legal e o Marcelo voltou aos vocais.Tocamos em outras bandas depois mas o NIX ficou. E até hoje as pessoas "daquele tempo" (odeio esta expressão) comentam com saudades...Quando a calçada do creme de leite já estava escura demais estranhos com suas motos e iluminavam, coisas que a gente não esquece...Crescemos, temos nossas familias e tomamos rumos diferentes, o Bressan com seu estúdio, o Moleza batalhando na Bonus e eu tenho um restaurante em Brasilia.Nenhum de nós parou de tocar, mas eu pelo menos, só em casa, gravando quando sobra um tempo.Estou anexando duas fotos uma da única apresentação do Alemão no vocal e outra comigo no Pink (ao lado da Kalahari) onde tocávamos com frequencia."(Beto Pepeta)
Há vinte anos atrás o cenário não era muito diferente do que a gente vê hoje:Hoje são os emos, em 87 eram os Darks . Em 87 roqueiro andava de all star , calça Jeans e camiseta do Iron Maiden e dos Ramones.Exatamente a mesma coisa, a única diferença é que não se usavam "piercings" e poucos se arriscavam a sair com uma "Tatoo" nos braços.Com o Nix detonando os tremendões(nomes que dávamos para os velhos amplificadores valvulados da Gianini) no show de calouros do Universitário, o Marcelo(não o Domingues) baixista e voal e o batera Beto "Moleza", fãs religiosos do Metallica e do Misfits, detonavam covers destas bandas.Da minha parte fui com o (pasmen..) Luciano Silva, eu na bateria e mais colega nosso cantando U2(não vou dizer que canção...) e Dire Straits.Cada um tinha direito a tocar duas ou três canções. Lembro-me do Luciano sair do palco chateado achando que tinha errado as músicas.Alguns anos mais tarde ele já estava de cabeça no Jazz de Pat Metheny e de Wes Montgomery... bandas como o Nadesna se não me engano naquela época também já estavam na ativa...Agora, voltando a história de Umuarama saem dois irmãos um baixista(Marcelo) e outro baterista(Marcio) e o colega e estudante de comunicação Dimas, recém dispersos da banda General X,que na realidade tem mais há ver com o que o próprio Marcio me relatou:
FARENHEIT 451
"...se conheço o general X? cara o lincão, tocava baixo no general, mais dois irmãos, o tantan bateria e o jamps guitarra, pra nós que eramos moleques sonhando em ter um instrumento e fazer um som era uma grande motivação pois eles tinham uma musicais muitos boas, eles tem uma fita master de 2 polegas perdida, não sei com quem ficou, depois meu irmão e o duda, o rossano (teclado) que foi pra nova york e o primo dele o flavio esse tocando bateria formaram o incognito, depois eu entrei na fita e montamos o d-503, pouco tempo depois eles foram pra londrina, e fui na sequencia e deu inicio ao fahrenheit 451"Este é o inicio da história do Farenheit 451 que se completou com a entrada do baixistaLinconl vindo de Rolândia e que teve uma pequena passagem pelo Blue-Up de Júnior Caminhoto com os vocais de Dimas.Vizinho deles o moleque franzino filho do seu Tóto dono da “farinheira”(de mandioca) mais famosa da cidade de Paranavaí, persegue com sua irmã mais nova todos os festivais da canção da região colecionando troféus a custa de canções do Raul Seixas, seu nome Marcos Nihaus (futuramente conhecido como Marquinhos Diet). No Colégio Marista da Avenida Maringá, fora os antigos que por lá passaram como os irmãos Arrigo e Paulo Barnabé e os novos Ivo Pessoa e Pedro Sá(hoje percussionista da Sinfônica Petrobrás do Rio) e na banda do Champangnat e no Maxi uma nova geração de músicos iria renovar a face artistica da cidade:Osmani Júnior,Marco Aurélio,Ricardo,Fernando Castro,Tim Magno entre outros.Na universidade bandas como Os Eucariontes com Marcão Vanzela de José Bonifácio-Sp e seu trumpete vocal e Escravos de Jô com o guitarrista Fernando e o Baterista Tinho Leme animam as festas da Medicina e da Fonoaudiologia.Entrando na área teatral Ricardo,Elton Mello,Marquinhos e Simone Mazzer além de atores criam o coro cênico do grupo teatral Armazém,aliás o Toninho e o Elton, adororava o Violeta de Outono(outra banda independente pauistana da década de oitenta) e duramente se apresentavam em fins dos anos oitenta em pequenas apresentações no anfiteatro do Zerão.Mario Bortolloto e Rodrigo Garcia Lopes alucinam o cenário com poesia beat e Teatro de Vanguarda:Cidade mais rock’n’roll que esta nunca existiu!!
PAULÃO ROCK N ROLL
Muito da verve roqueira da cidade tem tudo ou boa parte a ver com uma figura lendária:Paulão Rock n Roll, que por anos esteve a frente do programa Asylo Hotel em diversas rádios nas cidades de Cambé, Arapongas, Londrina e Cornélio Procópio.Sua história tem a ver tanto com a influência da Jovem Guarda na cidade, quanto dos loucos tempos da Tropicália e dos Dancin' Days da década de 70.Segundo o mesmo fora sua própria mãe que lhe apresentara Frank Zappa,hoje reconhecido compositor americano que na década de sessenta partiu para a música pop como fonte de renda para pagar sua ocupação favorita que era compor e orquestrar peças musicais de cárater erudito e contemporâneo.Hoje apresentador de um programa de rock de um canal a cabo da cidade de Londrina, vive a vida dando palestras sobre Rock e agitando a vida cultural da cidade e influênciando as gerações que hoje comandam festivais Indie como o Grito do Rock e Demo Sul em Londrina.Paulão é aquele tipo raro, entusiasta musical e profundo conhecedor de bandas, biografias e discografias.Lembro-me que quando junto de Osmani Jr. e o Fernando Castro(ainda moleque), remontamos o Santo Graal para tocarmos covers do Led Zeppelin e havia um bar do Max o "Maxwell's" na Hugo Cabral(havia também o Aeroanta na Tiradentes na época do Pink e do Mausoléo), onde nos apresentávamos constantemente e em certa parte da apresentação "Moby Dick" era tocada.Lembro-me que o entusiasmo do Paulão era tal que mesmo ficava fazendo reverência a banda a cada nova canção do Led Zeppelin que tocávamos.Era um tipo popular e todo mundo tropeçava com ele,quer na concha acústica perto do centro comercial,na noite no bar do Souza, no Valentino...enfim,Figuraça total!!Para vocês terem uma idéia da influência e popularidade que o Paulão desfruta leiam este comentário do Venâncio:" o...Paulão Rock and Roll..me portei ai kadu a 1988/ 1989 / 1990...onde eu ja era um menino andado..e o mundo ainda era grande....rs.. Paulão fazia um programa ouvido em toda região...as vezes alguem da galera gravava o programa em k7 e curtiamos em outras mãos...me recordo de possuir por um bom tempo Paulão com uma de suas tiradas nas noites de sexta em um programa que começava pelas 23 horas.."..As cobras brancas ja correm nos pratos da cidade..." , "..mandei instalar um marmore preto aqui no estudio ao lados dos pratos ...para entrar no ritmo do rock..."..e recheado de muito rock and roll..uma especie de Lets Rock de Marcelo Nova...na verdade a Cantina do Rock ...nada mais é que uma cópia barata de Paulão Rock and Roll...a Cantina do Rock na verdade é um tributo a Paulão Rock and Roll..o cara que cultivou o rock and roll no norte do paraná...deu bons frutos...no meio do estrume sertanejo sempre surge um cogumelo rockeiro...rsrsr...o fato é que este blog e uma concequencia das ideias de Paulão Rock and Roll..onde divulgar so as Bandas rock and Roll não basta é nescessario divulgar as idéias rock and roll...abraço a todos vcs...valeu muito...!!!!Beleza!"Outro que realmente não é apenas um tipo popular mas uma lenda viva é o Jair Bala ou Jairo Bala.conhecido como uma "entidade" reinante nos dias de movimento total no Valentino da Jorge Velho:o Jair era aquela pessoa que simplesmente aparecia do nada..ninguém via ele entrar ou sair do bar(mas todo mundo o via)..fazia o maior agito e depois zupt! desaparecia...Já quanto ao Rui o depoimento tem que ser meu mesmo: O Rui nada mais era que o homen do "Buraco Negro".Tivemos a oportunidade de morarmos juntos em uma república no Jardim Tókio juntos do Marião(Jornalista) e o Bruka Lopes(hoje o respeitado acessor de imprensa paulistano e free lancer da revista Ele&Ela,Luis Cesar Lopes).Sempre que chegava uma sexta ou um sábado, ele simplesmente sumia e aparecia uns quatro dias depois, se trancava no seu quarto e "hibernava" umas 24 horas.Ai quando acordava ele acentuava aquele sotaque de pé vermelho e dizia:-Rapaaaís, caí num buraco negro sexta passada...dei uma saida para tomar uma cerveja no bar do Antena e fui acordar segunda na chácara de um amigo meio todo cheio de lama..."Rui, o homen das noitadas "infernais" frequentador assíduo do Bar Brasil...
IN THE BEGINING
Inicio da década de 90:Restos de Fogueira da Noite PassadaUel,Clube da Esquina,Bar do Souza,Valentino,Vilão Bar,Batida do Baiano,Café Set,Metrô 21,Araucana,Bar da costela,Dogão do Japonês em frente ao Vicente Rijo.Todos os redutos da Boêmia Londrinense e fim da época áurea dos barzinhos com MPB querendo imitar o Djavan.FML em Londrina,Festival de Teatro Universitário,Domingos Pellegrini, Zerão aos Domingos, concha acústica e pastel do Bode Cheiroso.Seria este o quadro normal, se não fosse por alguns concorrentes rebeldes que se inseriam no meio, como opção ao que hoje chamamos de “tribos”: No interior de São Paulo, mais precisamente em Piracicaba Rodrigo, Gozo e o Buriola(de Rolândia) com sua banda Killing Chainsaw são eleitos banda independente revelação do ano pela Revista Bizz. Nesta época eu havia saido de Londrina para fazer faculdade de comunicação em Piracicaba.E por um acaso do destino através de um colega de república, fã do Ira! e do Fellini confesso,torcedor do AIA e Araçatubense Marcelo Lujam, conheci o Foka(ele ja tinha este apelido na época e eu fui apelidado de Kadú em Piracicaba,pois até então eu era o Carlão!).Bom, o cara era irmão do Rodrigo(guitarrista do Killing) e vivia na nossa república lá na Sete de Setembro(palco de algumas boas noitadas ao som de Rock n Roll).Quem também aparecia por lá era o Gozo, um dos guitarras do Killing.E ai o tempo passou , o albuns Killing Chainsaw e o Slim Fat Formula foram lançados, mas eu nem estava ai para este "tal" de Rock independente(afinal, o Nirvana me tirou qualquer opção que tinha em talvez vir a ser um adepto do indie Rock).Estava mais na "praia" do Blues e coisas como Rush,Clapton,Ray Vaughan,Stones e Steppenwolf. Depois dispiroquei e fui estudar música no sul de minas....Ai de tempos em tempos eu voltava para Rolândia e através da minha prima Raquel fiquei sabendo que o batera do Killing Chainsaw Rodrigo Buriola, era de lá(coincidências..).Afinal todos eles praticamente viviam entre Londrina e Piracicaba e esta mesma banda viria a se tornar a Granade,depois que o Rodrigo guitarrista decidiu investir em algo mais intimista.Mas eu e o Foka vivíamos nos cruzando em Londrina.Alías, coincidentemente sempre cruzo desde 1990(o 1ºfestival de jazz de Londrina foi um deles..)...Em São Paulo, Paulo Barnabé vislumbra uma banda de músicos Londrinenses e convoca o famigerado Edu Batistela e o super baixista Vilson Ignácio para a nova empreitada da Patife Band.Mais tarde, músicos paulistanos de calibre como Marquinhos Costa(Bateria) e Emerson Villani na guitarra,também substituíriam às saídas rasteiras de Edu e resolveriam de vez as diferenças musicais com o baixista original e também Londrinense Sidney Giovenazzi.Para tentar entrar na mente do Edu Batistela, apenas encontei no Marcio Américo uma definição mais de encontro com sua imagem:"Batistella é baterista. Pode parecer pouco, mas acontece que o cara é um destes sujeitos que levam às ultimas consequências o seu trampo. Um estudioso do instrumento, um virtuose, um músico que fala através da batera. Além da presença fodida que ele tem, manobra a batera feito um kamikase maluco, um freak alucinado, um gárgula disciplinado e com um talento de meter medo nos desavisados. Batistella apresentou entre outros números o seu DNA (ou seria ADN?) um solo de bateria. São 5 minutos de variações ritmicas poderosas, impossível não se mexer na poltrona. A bateria torna-se uma extensão de sua alma que por vezes parece atormentada, outras em paz com o universo. Eduardo Batistella já tocou com o Patife Band, Edvaldo Santana, Banda do Cão Sem Dono (Bernardo Pellegrini, Marquinhos Scollari...) além de outras bandas de São Paulo e Rio de Janeiro. Batistella é um dos artistas que desperta em mim aquele desejo de fazer o que ele faz, olhando o cara tocando sua bateria sinto vontade de comprar um instrumento e começar a tocar, ensurdecer a vizinhança, receber aplausos. Óbvio que não é minha praia, o máximo que eu conseguiria seria uma multa do síndico.Na saída do show cumprimento o cara. Lembramo-nos dos tempos em que ele morava numa "república" em sampa e eu costumava passar algumas noites lá. No final, já caindo fora ele parece se tocar e manda: "Márcio Américo, li meninos de kichute... é dinossauro! não vou falar mais nada. é dinossauro!! - depois fiquei pensando... o que ele quis dizer com dinossauro!!".O Vilson já era aquele cara mais quietão, tipico músico mesmo, pouco papo e muita música.O Paulinho Barnabé..bem o Paulinho é mais dificil né?O Cara já carrega uma aura sonora interior danada.Tive a oportunidade de acompanhar alguns ensaios da Patife com esta "line-up" londrinense no music center, um estúdio que fora aberto um amigo nosso em comun, o Jerry Uemura(que chegou a tocar no Beco por algum tempo,mas logo depois voltou para o Japão).Foi na mesma época em que estávamos fazendo a pré-gravação do que viria a ser o CD do Beco.Foi a primeira audição do que seria "The Big Stomach",música que na época não chegou a ser lançada devido as constantes recusas de Paulo ao "Mainstream"(seguindo os mesmos rastros de Itamar e do Arrigo).Você não sabia o que mais impressionava:se a música em si ou a galera tocando.Um misto de Samba-Punk-Psicodélico-contemporâneo algo assim como, se Luciano Berio encontrasse com Jello Biafra dos dead Kennedys e decidissem dar uma canja numa roda de choro na praça da República(!)Depois deste depoimento e voltando áo inicio dos 90 em meio aos festivais de música de Londrina surgem o Aerobú(que logo fechou), Pink Bar(também não durou muito tempo..), o Mausoléo e o Beco 1600(refência ao endereço da Avenida Higienópolis), este último tendo também sofrido um mutação, quando seu proprietário João Henrique Fontes ‘o Jack’ em visita a Santo André visita o seu primo um iluminador que trabalhava no Black Jack Bar, um bar realmente Rock n Roll.Até então a intenção dele era competir esportivamente com o “Chamé” proprietário do Valentino, que além dos seus costumeiros macarrões da madrugada, de quinta a Domingo era invadida por diversas tribos musicais: dos bluseiros do Blue-Up, pelo jazz do Monjolo,pelo Jazz/rock do Aleph Trio com o Zé Marcelo(que anteriormente fora a primeira formação do Blue-Up,com o Bruka e o Renato Alves,de Victor Gorni com o seu quarteto, do trio Marta,Márcia e Marquinhos,Neusa Pinheiro e em Julho pelos canjeiros do FML(Festival de Música de Londrina). Nesta mesma época também surgiram o "Vila Pirata"ou bar do Quatá e o extinto "Agua Viva" havia se tornado o "Farol"
BLUE UP
O incrível "Ninho" de Bandas Londrinenses. O Blue-Up começou em 1989 tendo na sua primeira formação Bruka Lopes nas guitarras, Renato Alves no Baixo e Marcelo Casagrande na bateria, tudo isso capitaniado por Alcides Caminhoto Júnior, mais conhecido como "Júnior Caminhoto".Júnior sem querer acabou abrindo caminho para que outras bandas uma década depois continuassem a missão do blues Londrinense em suas ruas e bares como é o caso do Acústico Blues do guitarrista Kiko Jozolino.Fora a imensidade de músicos que passaram pelo BlueUp, como o Dani Martins(Bateria),o Greg(que poucos se lembram era cantor e médico e hoje vive em Jataizinho) e que tocava com o guitarrista Guides(também professor de guitarra famoso na década de 80),Valdir Castro e o Celso"Pena"egresso do Oculto Azul,o Paulo Turko(também fez parte da line-up com o Junior e o Greg), Marco Tureta,Pacheco e o Edu Batistela,o Dimas(que mais tarde viria a criar o Farenheit 451)..A Banda que ressussitou o Blue UpTambém um banda que trilhava este mesmo caminho Classic Rock(na época não existia este termo) e do Blues, que tinha como vocal e aspirante a gaitista o Marcelo, vulgo "Gigo" e nas guitarras Sérgio Tambelini(que anos após veio a tornar-se pastor evangélico).Banda esta que adentrei assumindo as baquetas em 1993, logo quando cheguei e já acompanhava o Santo Graal com Osmani e Fernandinho(que era um moleque de 14 anos e mais tarde iria adentrar o Blue-Up também..),o Marco Aurélio e o Cassiano tinham debandado do Santo Graal e eu fui indicado por um amigo em comum(leia-se Edu Brandalize)e o Sergião Tambelini nos acompanhava no Baixo(apesar de ser um super guitarrista e amigão do Gigo).A história portanto é que em determinado momento o Júnior do Blue-Up procura banda pois, naquele momento a Blue Up havia sido desmontado, com Dani e o Greg tendo saído e apenas o Guto no baixo estava acompanhando o Júnior. Júnior veio a adentrar o Fly By Band e o próprio sugeriu que voltássemos como Blue-Up.Nesta época éramos eu, o Gigo(vocais e Harmonica),Sergião Tambelini nas guitarras e Celso "pena" no baixo.Nesta brincadeira Fly By Band deu lugar ao Blue-Up,para logo depois com a saída do Sergião entrar o Celso no contrabaixo.Ai entre um e outro "intermezzo",ensaio,show no Valentino e na casa do Jornalista, Ribeirão Preto(onde o dono da casa não quis nos pagar),Umuarama(na Óbvio)o Pena debandou e anos mais tarde adentraria juntamento com o Dany na banda de Heavy Metal que hoje se chama Bélica e depois iria morar na Inglaterra e na espanha. Assim naquela época acabei convidando o Valdir Castro, que na época tocava instrumental com o Luciano Silva(aquele que tocava With or Without You e Sultans of Swing numa tonante lembram?...) Alex Hussmeyer e o Rodrigo tecladista. Fernando Castro do Santo Graal também tocou como contrabaixista por algum tempo no Blue-up(se não me engano por indicação minha quando o Valdir fora tocar com o Teodoro e Sampaio)e depois passou a acompanhar a Sabrina na Banda Azul,bem como o Marco Tureta(do Convulsão) e quase gravámos uma demo na época, mas dai eu, o Valdir e o debandamos.Por indicação do Edu Batistela fomos parar na dupla sertaneja Teodoro&Sampaio...o Valdir foi..e eu não fui..ele conseguiu com a grana do sertanejo montar uma loja e eu amarguei algum tempo até entrar na banda Beco,pois na época o blue estava com poucos shows. o Blue-up virou dupla, com Junior e Gigo,e mais tarde o Marcelo Mendonça de Botucatu substituiria o Marcelo "Gigo" nos vocais e gaita.Durante este tempo todo a última noticia era que um ex-aluno meu(muito bom baterista por sinal)o Amarildo estava tocando com o Blue-Up. A maioria deste pessoal que saiu do Blue-Up, não se aventurou somente no Blues e no Rock n Roll. Também se aventurou no Jazz Rock, no Fusion e no Free Jazz(ou tentavam né...) como no caso o Fernando lembrou da época em que eu, ele, o Lourenço, o Bruka, o Tim e o Arthur montamos o "Enzima", um quinteto de Jazz para tocarmos alguma coisa próxima a Coltrane:"vou te lembrar de mais uma:uma banda que fizemos pra tocar um especial de Jazz no Valents, com um saxofonista, Lourenco, cara agora me fugiu o nome daquele projeto... voce lembra ?recrutamos o trompete Arthur Fernandes ... alias, qdo for escrever algo sobre ele tenho um livro da vida do vulgo batatinha, Bugalu, entre outras coisas... hahaha), o Tim, voce, eu e Bruka. bom pelos menos os temas nós fizemos...". E falando do livro da vida do Arthur, ainda aguardo a declaração do próprio para revelarmos aqui neste blog.
QUEM FICOU,QUEM GRAVOU,QUEM ACABOU,QUEM CONTINUOU
...Neste meio termo nem tão rock nem tão MPB, bandas como Ana&Banda lideraram por um bom tempo ao lado do Chaminé Batom os espaços da Concha Acústica no centro da cidade e no Zerão(isso lá por 1993),seguidos mais tarde pela Banda Azul, liderada pela cantora Sabrina Vargas que convocou na época o ex-beco Luiz Marcelo na bateria(egresso do Beco),Kleber de Tarso nas guitarras e Isaias no contrabaixo e Fernando Stelzer do Beco dando suporte também nas guitarras.Isaias algumas vezes era substituído no baixo por Vilson Ignácio, pois muito desses músicos acompanhavam também a banda Wet e bandas de baile da região.Muitos destes músicos apesar de profissionais tinham uma veia roqueira muito forte como o Wander da banda Champion de Ibiporã e o próprio Vilson Ignácio(que tocou em bandas com Expresso Super Som) que surpreendeu a todos quando entrou na Patife com o Edu Batistela e o Paulinho Wesley.Mas é óbvio que esta formação não durou muito.Depois de algumas discussões a respeito de arranjo, Wesley entendeu que o controle artístico do trabalho é todo do Paulo Barnabé.Sendo assim o Emerson Villani que na época havia gravado o primeiro cd solo do Paulo Miklos(e que mais tarde acompanharia o Funk Como Le Gusta), assume as guitarras com seu estílo Psychobilly/Jazz/Samba/Fusion.Outro músico que também assumiu as debandadas do Edú foi o Marquinho Costa(mais conhecido por ter produzindo o 1ºCD da Maria Rita e ter tocado na banda do Faustão).Era de se admirar a excelência destes músicos.Surgiram também bandas como Uquiah Dibô(que também contavam com Isaias no baixo e marcelo na bateria),mas estas eram mais calcadas na MPB, como o inesquecível Bernardo Pellegrini&O Bando do Cão Sem Dono. Tanto o Ana&Banda quanto o Chaminé Batom e a Banda Azul, eram bandas relativamente similares em termos de estilo.As duas buscavam uma fusão da MPB, do Rock Nacional e da Vanguarda Paulista com a diferença de que no Ana&Banda os músicos eram profissionais como no caso de Zé Marcelo Casagrande(Bateria) e Wagner(Percussão)e o Paganini(bateria).Completavam a banda a cantora Ana, o baixista Renato Alves e guitarrista Bruka Lopes(saidos do Blue-up) que também tinha o Victor Lazarini que era um dos compositores da banda, o Bruka pouco tempo depois adentra a Banda Beco, e fui lá que eu pude conhecê-lo melhor.Bruka Jones, o Homen Urso, das mil noites adentro lendo Jonh Fante, Keruac e Ouvindo Jonh Coltrane "A Love Supreme",o verdadeiro Beatnik de Avaré(apesar de ser de São Paulo, como ele mesmo afirma).Mas quando dava para dar uma roqueiro era casca Grossa.Curtia muito a fase de Mick Moody e Bernie Mardsten do Whitesnake e das coisas que Judas Priest.Na maioria dos trabalhos que fez teve sempre muito destaque em Londrina, fora as frases de efeito que ele usava, como "Sevenin Six" e "Elisabeth Savallas", a "The Best Of" foi :-"Aqui na cidade só se fala de outra coisa!".Retomando o assunto,a maioria destas bandas conseguiu a proeza de ao menos ter gravado um CD ou Vinil em época que este processo custava uma fortuna,tendo em vista que a maioria destes músicos eram estudantes do ensino médio ou universitário.
CHAMINÉ BATOM
Das mesmas a única que conseguiu lançar um segundo trabalho foi o Chaminé Batom, com o álbum “Decifra-me ou...”, ambos os dois produzidos por Robson Borba, o mesmo que na década de oitenta avaliou os trabalhos de “Arrigo Barnabé e a Banda Sabor de Veneno”,formada por hoje consagrados artistas como Vânia Bastos,Mane Silveira,Paulinho Barnabé e o falecido Tavinho Fialho,Criado em Londrina em 1986, o grupo Chaminé Batom nasceu como um Coro Cênico. Com o passar dos anos e no decorrer de várias montagens, o grupo veio desenvolvendo novas formas de se trabalhar música e cena. Em 1991, a banda Chaminé Batom, surgiu como núcleo do grupo, a partir daí, Banda e Grupo se uniram em projetos que possibilitaram a criação de trabalhos com muita versatilidade e variedade pouco comum nos meios culturais da região. Os integrantes do grupo cênico eram:Andréia Fernandes Calesso, Carlinhos Rodrigues, Carlos Eduardo de Souza, Cássia Nascimento, Djalma Garcia Araujo, Elton Mello, Jaderson Luis Holsbach, Lia Cordoni, Mara Ortega Pitta, Ricardo Grings, Sandro César Branco, Silvio Ribeiro, Simone Mazzer, Suzy Mary Matheus Rodrigues e Terezinha Ferreira.O Chaminé Batom no formato de banda chegou no início dos anos 90 a fazer cerca de 200 shows no ano, em todo o Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.No EP Chaminebatom, o grande destaque foi a canção Mente, Mente de autoria de outro ilustre londrinense, o Robinson Borba. Mente, Mente foi gravada não só pelo seu brilhante autor Robinson Borba, mas também foi hit de Arrigo Barnabé na trilha sonora do filme Cidade Oculta. Foi também gravada por Ney Matogrosso. O Chaminé se diferenciava das outras bandas que animavam as festas da Uel e as noites do antigo Valentino por uma pequena diferença:Simone Mazzer,Ricardo Grings,Carlinhos Rodrigues e Elton Mello faziam o côro cênico da Cia. de Teatro Armazém, sendo acima de tudo atores que tocavam.Portando não devia ser fácil para eles ver os olhares críticos da platéia muitas vezes de músicos e estudantes de música.Mas das bandas da época foi uma das que mais teve público cativo em seus shows e fãs de carteirinha ao lado do palco. Fora este pessoal mais MPB do que rock tinhamos o Undergorund Londrinense muito bem representado pelo Farenheit 451 como Dimas nos vocais(Já falecido),Marcelo no Baixo e o Marcinho"Trambiqueiro" na bateria(chamávamos de trambiqueiro pois vivia fazendo "rolo" com instrumentos de percussão:pedais,tripés,pratos,set-ups de bateria).
CHERRY BOMB
O tempo foi passando e ao passo que iamos adentrando as festas do RU, viamos que pequenas bandas de Punk (na época não as chamávamos independentes por nós é que éramos..), com uma molecada meio "Nerd" realizavam as aberturas:O Cherry Bomb e o Magic Baloom, eram algumas delas.A única coisa que sabia a respeito daquela (o Magic Baloom)obscura banda era que o filho do Dr. Winckert(promotor de justiça da cidade..) fazia parte dela.Mais o Márcio Américo deixou um depoimento interessante sobre esta época que estou a relatar(na verdade mais uma testemunha da época):"Conheci o Rodrigo Amadeu, ou o Rodriguinho, durante um festival de rock que eu e o Reinaldão (ex- poeta de rua com atuação na av. Paulista e hoje em dia marketeiro profissional) promovemos com a nobre intenção de revelar novas bandas, incentivar a produção local e levantar uma grana (com as incricões e a venda de cerveja quente) que cobrisse nossa astronômica dívida com fornecedores de álcool e estimulantes ilícitos.O festival de Rock deu certo, nossa dívida minguou bastante, embora ainda permanecesse bastante notável, sobretudo pelos nossos credores.Entre as bandas inscritas estava uma que chamou muito a nossa atenção: Cherry Bomb... Conheci Rodriguinho, o vacalista, nos camarins e na hora o achei muito parecido com um fã dos Ramones, ao final do Festival, já com alterações da percepção da realidade graças ao consumo intenso de estupefacientes diversos, eu já o achava a cara do próprio vocalista. Na verdade não me lembro de uma sílaba do que eles cantaram, até porque era em inglês e na época meu vocabulário na lingua do tio Sam resumia-se a “yes” e “no”, e assim mesmo não sabia exatamente em que momento usar uma e outra. Mas sei que gostei.Além do Cherry Bomb participaram bandas do interior de São Paulo, do Paraná, chamamos a titulo de host mr. Paulao Rock n Roll, claro, teve umas malas, uma tal de não sei o que Jabur, recém chegada de Miami e com um pop postiço que conseguia ser mais picareta que nosso Festival, tirei-a do palco no momento exato em que sua cabeça começava a valer menos que a nossa cerveja quente .Hoje em dia não faço mais festivais de Rock, já tem gente fazendo a coisa de maneira decente; Demo Sul do amigo Marcelo, hoje em dia já não experimento alterações e meu nglês está melhorando (já sei o que é bottonbelly) e o Rodriguinho está na Espanha. Dia destes ele musicou um poema meu e mandou-me por e-mail. Ficou legal pra caralho, vou postar no Youtube assim que tenha um tempo...Ouvindo o poema musicado fiquei pensado nesta coisa de velhice.... de permanecer olhando pra trás...Não me considero saudosista, tenho ainda uma porção de coisas pela frente, tenho muito pra escrever, acho que o melhor, pelo menos da minha produção ainda está por vir, me reservo surpresas, mas no caso de Londrina especificamente, as boas coisas, mesmo as coisas legais do presente, tem sempre um insistente link no passado. Não era pra ser assim."A Jabur a que o Marcio relata em seu depoimento é a Adriana Jabur que lançou um CD chamado "The World is Yours", e o pai dela chegou a sondar bandas como o Beco e o Iguaranoise para acompanhá-la na época.Graças... já foi também...
DEMO SUL
Neste meio tempo o Marcelinho Domingues atual produtor do Demo-Sul, comparsa do Marco Tureta no Convulsão, decide organizar um festival, isso lá pelos idos de 1995:"Em 95 fizemos o primeiro teste de como seria um festival. Na época eu tocava numa banda chamada Convulsão. Nos reunimos com mais 5 bandas locais (Cherry Bomb, Ciclone Pill, Golgota, GAFe e Animal de Teta) e organizamos o Londrina Underground Scream. O nosso objetivo era trazer pessoas ligadas à cena rock da época, como Miranda e Gastão, por exemplo. Bom, conclusão, descobrimos que um festival conseguia aglutinar um grande publico de várias "tribos" diferentes e que as bandas poderiam divulgar seu trabalho pra uma grande massa. Também descobrimos que pra ter uma maior ascensão e destaque na imprensa, precisaríamos de atrações de fora, pois nenhum produtor convidado naquela edição compareceu..."
O PUNK DE LONDRINA
O Aborígenes Ho! também foi uma banda que veio da cabeça do Robertinho Asso, velho conhecido meu, do Luciano Silva(que na época tocava With or Without You do U2 em guitarra Tonante..era impressionante..)do Fabiano(baterista do Lepra), Sérgio Hashimoto(um japonês muito doido que curtia Jesus&Mary Chain,Siouxie&Banshees e Beastie Boys), da época do universitário.Eles eram os caras que curtiam Punk, eu era o cara que curtia Metal:Maiden,Destruction,Slayer estas coisas, claro que o meu gosto musical mudou com o passar do tempo, bem como o deles...O Daniel (ex Ouvidos Calados)também teve memórias com a sua banda:"Com 15/16 anos eu já dividia o vocal da banda de punk rock conflito, que era também composta por Marcio, Daniel e Fabinho, esse três últimos junto com o Maluco e o Viniu formavam também o Depois do Fim, que fazia um som mais pesado, estilo Extreme Noise Terror. Fizemos alguns shows, no Mausoléo, no DCE, na ULES, até no Moringão.
ESPÍRITOS ZOMBETEIROS
vejam só...mas as bandas naõ duraram muito tempo, o Depois do Fim ainda perdurou um pouco mais..".Desta velha turma da década de 80 para cá, muita gente como o pessoal do Chaminé,que fez duas gravações, uma ainda em formato vinil (EP) e outra em Cd e...e mudaram-se para o Rio de Janeiro para trabalhar com o a extinta Cia. de Teatro Armazém, hoje apenas chamada "Armazém", Daniel Belquer e Ivo Pessoa cada dentro de sua área(um trabalha com trilha para teatro e outro fora revelado no programa "Fama" da Tv Globo)também seguiram estes passos.Todo o resto de quem não ficou em Londrina(como eu) ou foram para São Paulo como o Marcelo Mendonça, Fernando Castro,Bruka,Bernardo,Edu Batera ficaram em Londrina continuando em outras bandas ou debandando para a europa como Valdir Castro, o Zé Roberto, o Pena..Hoje em dia musicos como Vitinho Gorni(tocou no Granade), os irmãos Potumati, o Mizão são os caras que continuam influenciando a formação de bandas em Londrina,bem como não esquecendo de bandas como o Devacan em que tocou o Guilherme Vazzi irmão caçula do Otávio Vazzi e que fez parte desta mesma turma da época. Novas gerações de bandas foram aparecendo como foi o caso com da Surface, Espiritos Zombeteiros,Buffalos D'agua,A Cor da Onça,Ouvidos Calados(ressussitou),Os Cevadas e a Sancho Pança que também surgiu no circuito universitário em fins dos 90 e lançou em 2002 o Cd "No Mundo dos Cogumelos" tendo na sua formação Paulo Jau vocalista e tecladista,Marcus Garcia (guitarrista),Luciano Raduy (baterista)Renato Macri e Jean (baixista) e o recente "Revival" de bandas dos anos 90 agora em 2007 como o Hard Money e o Elite Nativa . Sobre o Espíritos Zombeteiros" a história já vai um pouco mais a fundo, pois eles como o Beco, Elite Nativa,Madera, também tiveram a oportunidade de se apresentar na Metamorfose, o Pedro e o Gustavo(irmãos do Matheus que me substituiu Starfish 100 em Sampa por indicação do meu cumpadre Bruka Lopes) contam:"Nas apresentações da banda já aconteceu de tudo: desde a pompa de um show histórico ao lado de Lobão, para mais de 15 mil pessoas, até a destruição do piso de um salão de festas. O episódio foi em uma festa à fantasia, anos atrás, com os membros da banda vestidos de mulher. A certa altura, Gugão, o médico gonzo (que também é o vocalista), tirou um boneco de espuma para dançar no meio da platéia. Quando viu um atirador de fogo, não pensou duas vezes: jogou o boneco no chão e pediu ao cara que lhe ateasse fogo. Ao som da banda, que continuou tocando até o fim da “intervenção”, Gugão fazia gestos pseudo-vodus às labaredas, que subiam por quase 4 metros de altura. O fogo corroeu um pedaço do taco e, lógico, irritou os promotores da festa, que encerraram o show sob protestos da platéia. Isso, porém, não impediu a cena dantesca de encerramento: um grupo de “coelhinhos”, com colant e pom-pom rosa, se organizou em fila para pular a fogueira escura produzida pela espuma."Outro dos irmãos Potumati, o Matheus(que passou em São Paulo pela banda Indie "Starfish 100")também relatou:"Quanto ao Zombeteiros, nós entramos numa fase esquisita a partir de 2003: ao mesmo tempo em que a possibilidades cresciam, a banda estava instável. Teve a saída turbulenta do Jean, que apesar de resultar na entrada do Gustavo, meu outro irmão, um puta instrumentista e pau-pra-toda-obra, foi um balde d’água fria. Além disso, a gente era uma banda que morava e fazia tudo junto, mas num esquema mais Butthole Surfers do que Fugazi. Ou seja, éramos mais um bando de porras-loucas do que um grupo organizado de conduta espartana (esse papel era mais do Subtera, que aliás morava a umas quadras dali). A produtividade caía, o desgaste aumentava. Com o tempo, as desvantagens de morar junto começaram a superar as vantagens. E, claro, tinha toda a dificuldade de se morar em Londrina, uma cidade tão estilosa quanto economicamente estagnada, sem emprego nem dinheiro. Depois, o Gugão passou uns meses na Europa e, no ano seguinte, eu me mudei para São Paulo. O Pedro montou o Dizzaster, o Gugão se concentrou na parceria com a Poka, mulher dele, e o Gustavo mergulhou no trabalho de estúdio e de sonorização. Finalmente, em agosto do ano passado, eu me mudei pra Chicago. Pra muita gente, a banda tinha acabado, mas era uma coisa tão difícil de admitir que eu costumava usar termos como “hibernação”, “criogenia”, “animação suspensa".Além disso, os Zombeteiros entraram em estúdio a partir de fevereiro de 2008 para começar a preparar o seu segundo álbum. Até hoje, a banda lançou dois EP`s - Espíritos Zombeteiros (2000) e Cokex (2003) – e um disco ao vivo, intitulado Último Show (2001), tendo também participado de várias coletâneas de artistas londrinenses. Por tais motivos, os Espíritos reúnem condições para ser um lampejo de visceralidade como há muito não se via no rock brasileiro)
BECO
Avenida Higienópolis 1600 - Beco Bar, Banda Beco e Kaiser QuenteO Bar Beco nos tempos idos foi um barzinho freqüentado por namorados, ao som de MPB e bossa nova.Meio que inspirado no Valentino(á época situado na rua Jorge Velho) e no extinto Dunks(que ficava na esquina da Paranaguá com a Piauí).Um belo piano tocando músicas dor de cotovelo pelas mãos do advogado Marcelo Manzano, avisava ao cliente que ali era um local “clean”! Belo dia, o mesmo falou:-Vou pintar tudo de preto e colocar um palco no fundo! -Vai ficar duca...! Jack assume os vocais, convocando China para a guitarra, Tinho Lemos no Baixo e Luis Marcelo(recém chegado de Campo Grande)na bateria,isto que o Duda já havia passado também pela primeira formação!Ok.estava pronta a primeira “line-up” da banda Beco!Depois disso com alguns shows no próprio bar houve um revesamento de musicas que sairam e entraram como o Edu Batistela,o Jerry Uemura,o Caio de Carvalho(que já havia passado pelo pequena Londres)e o Oswaldo Gaion.No repertório só rock nacional:Barão,Hanói-Hanoi,Celso Blues Boy,Ira!,Legião,Capital Inicial e Paralamas!O Bar virou de cabeça para baixo! Copos Voavam!!Cadeiras também! Fui testemunha de dias muito loucos assumindo as baquetas na banda Beco, ao lado de Bruka Lopes na guitarra e Fernando Stelzer(Badaró) no contra-baixo! Testemunhei mais de uma vez Jack literalmente fazendo voar clientes bebuns no Beco, em uma atuação para lá de Jonh Wayne! Faroeste Caboclo total!!O Pink Bar como o nome já dizia...não, não era nada Pink, era digamos a dicotomia de tudo o que era a Kaalahari e seus batestacas! Filas e filas de aspirantes a músico lá ficavam para as canjas assistindo aos trios de pop rock desfilarem cover Legião,Capital,Ira,Ed Motta,Pink Floyd,Led Zeppelin e The Cure.De lá saíram bandas que iriam animar as festas da fono e músicos que ousariam caminhar pelo reduto restrito da música instrumental,entre eles Luciano Silva,Valdir Castro,Alex Hüssmeyer .Bandas como Santo Graal,Blue-Up,Os Patrões(esta de Jaú-Sp),Matéria Prima,invadiam o pequeno palco a guisa de reconhecimento artístico. E é claro, o indefectível som gutural dos bebúns de plantão:-TOCA RAÚL!!! Fora o fato de que a banda a cada festa ia sendo convidada para mais eventos, soma-se o fato de que o Beco estava preparando um CD.Os ensaios até então marcados para renovação de repertório iam se transformando em laboratório, para o que viria a ser o primeiro CD e o epitáfio desta banda.Obviamente tinhamos problemas, primeiro por que o Jack não era um cantor profissional mas sonhava em chegar lá..(digamos em termos artísticos).Mas no meio disso tudo Bruka como era muito amigo dos poetas e atores Londrinenses, conhecia bem a nata cultural, como por exemplo Rodrigo Garcia Lopes que teve um papel fundamental no rock Londrinense dos anos 90:O seu album de poemas e canções "Polivox" é uma sintese de um laboratório composicional que o mesmo começou junto de bandas como o Beco e Bernardo Pellegrini.Lembro-me que na época, ele pegou a produção de Sidney Giovenazzi e fez vários shows no CCSP em São Paulo e no Sesc Pompéia como "Prata da Casa"(o que é uma honra por ser um artista e poeta paranaense).Começamos a também fazer reuniões,tanto com o nosso produtor da época Rodrigo Lopes da gramophone electrônico,que aliás foi o nosso grande "incetivador"(nos auxiliou com instrumentos e equipamentos e fez vários contatos que se não resultaram em melhores oportunidades não o fora por falta de se auxilio) na época e com o Rodrigo Garcia Lopes, então poeta e escritor que nos auxiliou trazendo "Ruido do Vidro"(versão em português de uma poesia de Jim Morrison do The Doors), e "Iluminações" uma parceria dele com Bernardo Pelegrini.Bruka então vem com “V de Viagem” direto de Paulo Leminsky, musicando tal poesia ao estilo Bob Marley, fazendo a perfeita ligação da Curitiba Branco-Polônesa-Judaíca com a tribo perdida de Jah em Trenchtown.Muito disto que eu chamava de reggae na verdade era um "half Time Shuffle" que roubei indiretamente do disco "In Through The Outdoor" do Led Zeppelin e de umas canções que ouvia do Al Jarreau e do Toto(na verdade vim a descobrir que era o mesmo baterista que gravava, Jeff Porcaro que também copiou este groove de Bernard Purdie, um baterista de R&B americano).Nesta(e neste caso me permito colocar esta passagem)leva vieram também “Procura”, que a princípio todos acharam ser o “Hit-Single” do CD.Seguiram-se "Filhos de Santa Maria" e "Peso da Lua" de Paulo Leminsky,que deu um clima mais "Avarage White Band" ao som do Beco.O bom de tudo é que agora o Beco é citado no Wikipedia na parte de parcerias de Paulo Leminsky da seguinte forma:pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Leminski1995- Filho de Santa Maria - com Itamar Assumpção,Banda Beco no disco BECO1995- V. de Viagem - com Banda Beco no disco BECO1995- Peso da Lua - com Banda Beco no disco BECO
HISTÓRIAS DA BANDA E DO BAR BECO 1600
O Bar Beco à esta época aos sábados era o mais novo point da Higienópolis, com a Banda Beco lotando o pequeno recinto do Bar.Nesta brincadeira o vídeo maker Hugo decide fazer uma tomada da banda em ação numa daquelas noites e o resultado foi um vídeo em P&B destas três canções.Após vermos o vídeo vinculado no programa TV mix (leia-se Marcão Careca), o mesmo foi usado pela banda como cartão de visitas para venda de show, portanto um documento áudio-visual até certo ponto sigiloso no sentido comercial.Tal a surpresa da banda quando anunciado por amigos nossos em comum que o mesmo vídeo estava sendo rodado em um telão na famosa “Festa da ELLUS”, festa que até então estávamos buscando fechar com a promotora(diga-se de passagem proprietária da boutique que promovia tal evento).Para se entender um pouco melhor o que era o Bar Beco, o fato era que o vocalista Jack tinha muitos clientes advogados que varavam as noites no Bar entre um drinque e outro.Tal fato bastou, para que um destes profissionais liberais oferecesse à abertura de um processo contra tal falta de sigilo e profissionalismo da tal organizadora.Fato realizado, testemunha presente(Laura,futuramente esposa do percussionista americano John Boudler),acordo feito.Seria pago a indenização por uso indevido da imagem,mediante a presença da banda no próximo evento.E com a vantagem que a banda nesta história só teve a crescer! Bom,ai veio o show com o Celso Blues Boy (a primeira foi na metamorfose, esta fora a segunda vinda dele a Londrina) chamada "People Hype", que foi bacana também, mas como faltou grana da produção para pagá-lo, o Jack(como bom fã que era), propôs ao Celso que ele ficasse mais uma semana(agora hospedado na casa do Jack)para ele tocar umas noites no Beco, com a banda acompanhando(pintou até proposta para uma turnê no sul do país com shows em Floripa e tudo mais..).O problema é que o Celso bebe...na época bebia cerveja pois por causa de um acidente com carros de corrida,o mesmo quebrou três costelas e estava lá meio bebâdo meio dolorido tocando em Londrina(normalmente ele bebe Gin...).Então depois de umas duas grades de cerveja no Beco, ele pedia mais umas seis latinhas para poder dormir..isso sem contar o CD do Trini Lopes que ela ficava falando o tempo tempo, pois ele tinha ovinil desta gravação, e eu por acaso achei o CD em promoção nas lojas americanas para ele..Sei que depois desta passagem nunca mais ouvimos falar do Celso..."One Bourboun,One Scotch,One Beer"..Estas brincadeiras também, renderam a festa de aniversário do Norio Matsubara e mais convites.Ficando muitas vezes a cargo dos arranjos Bruka e Fernando,os mesmos buscaram idéias cada vez mais ousadas procurando uma síntese do pop suingado nacional com os elementos que já estávamos acostumados a acompanhar de Itamar Assumpção e Arrigo,sem querer parecer “intelectualóide”, pois a banda tinha como visão o público universitário que gostava de dançar e tinha aversão aos chamados grupinhos de pagode universitário tão em voga na época.Por indicação de Batistella e Wesley(músicos que na época faziam o Bussisness sertanejo),o Beco trava contato com estúdio Origem(na época situado no Bairro de Santana em São Paulo)para o que seria a gravação de seu primeiro CD e arregimenta Ary Holland nos teclados(pois pagar um naipe de metais para aquela gravação valeria uma fortuna!),Celmo Reis nas guitarras para alguns solos, a Cantora Rosa Reis(já falecida e a época cantora do Bando do Cão Sem Dono),Paulinho Barnabé e Edu Batistela para as percussões adicionais.Depois de dois anos aguardando para lançar o "bendito CD", fizemos a festa de lançamento foi em 17 de Outubro de 1998 no Canadá Country Club, tendo como convidada a Banda Chaminé Batom.Ente 1995 e 1998 Conseguimos boa publicidade com Outdoors pela cidade dos shows, sessão de fotos,músicas do cd na rádio UEL e quase um contrato de produção com a Sony Music através do então produtor da banda Rodrigo Lopes que enviou nossa demo ao produtor Walter Neto em São Paulo, ao qual ironicamente nos enviou um orçamento com a quantia que seria necessária para nos colocar definitivamente no meio artístico brasileiro:R$250.000,00(o equivalente hoje a uns 500.000), com a listagem de programas televisivos para promover o trabalho,regravação de todo CD reaproveitando somente 4 canções de um cd com 12, lista de nomes dos principais produtores envolvidos no projeto e a quantia paga para cada um até chegar ao principal da Sony Music do Brasil (nem vale apena citar qualquer nome)e a efetivação do contrato de produção e publicidade da banda e seus integrantes.Outro fato interessante foi um gravadora chamada "Cedro Music", nos ter contactado oferecendo um contrato e produção através do técnico de audio,o Marcos Ferrari do estúdio origem que havia remixado a master e enviado ao mesmo(também não vale apena citar nomes).Como não tinhamos referência de tal pessoa(ele se dizia apadrinhado de Gilberto Gil)decidimos por esquecer.Mas o fato é que ele não esqueceu nos "disconjurando" e dizendo que enquanto ele vivesse, essa banda não conseguiria absolutamente nada no mundo artístico(..é..dizem que praga de produtor pega..).Muitos anos depois encontrei com este mesmo técnico de aúdio em Maringá quando de um show que participei com outros artístitas e o rapaz de pé junto afirma que até hoje ele continua a "meter a boca em nós".Depois das dívidas imensas, trabalho que não vingava o jeito foi dar uma parada com a banda Beco(Jack também foi de acordo) e trabalhar com outras bandas para ganhar algum. O que sobrou do Beco se juntou recrutando Zé Roberto para os vocais e se criou Os Filhos de Santa Maria, que veio a acompanhar o Marquinhos Diet e o Otavio Vazzi quando eles trabalharam no Mecenas Bar(o que foi então, o Filhos de Sta.Maria com a entrada do Malagutti e a saída do Bruka que montou o Bruka Y Los Dos, veio a se tornar A Cozinha Boca de Caçapa..).Ai entra o contrabaixista Ricardo Bender, que já há alguns anos vinha com o projeto do Engenheiros do Hawaii Cover, junto do guitarrista Fernando Hirota e o baterista Roney.Fernando e Ricardo que estavam a época a procura de um baterista substitudo me propuseram o trabalho, o que prontamente fiz.Esta mesma banda veio a se tornar o Vórtice, uma banda de covers que fez toda a região do norte paranaense e oesta paulista, com shows em Prudente,Tupã,Maringá,Cianorte,Umuarama,Maringá,etc.. O Bruka também acabou entrando logo depois que o Fernando decidiu cair de cabeça no TCC do curso de música da UEL.Foi bem nesta época em que eu abandonei o curso de licenciatura em música.
PATIFE BAND
Os Gurus do Rock de Londrina: Patife Band"Formada em 1983 por Paulo Barnabé (vocais), André Fonseca (guitarra e voz), Sidney Giovenazzi (baixo e voz) e James Muller (bateria), a Patife Band surgiu no sobremaneira fértil e estimulante cenário da vanguarda paulistana da época, onde pontificavam formações como Grupo Um, Pé Ante Pé (ambos já devidamente resgatados pelo excepcional trabalho da Editio Princeps), Aguilar e Banda Performática, Rumo, Língua de Trapo, bem como figuras do porte de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção; não obstante, enquanto os artistas supracitados permaneceram (exceção feita ao free jazz do Grupo Um) inseridos em maior ou menor medida no idioma estilístico da MPB, a Patife Band caracterizou-se por um mix de tal legado com as linguagens do punk rock e do jazz de vanguarda, fusão essa devidamente envenenada por agulhadas de música dodecafônica e dada music metalinguística zappiana, não fosse Paulo irmão mais moço de Arrigo Barnabé. Em 1984, já com Cidão Moreira no lugar de James Muller, a banda começou a percorrer o circuito alternativo da Paulicéia, chamando a atenção da crítica. No ano seguinte, fariam sua estréia discográfica com um ep lançado pelo selo da Lira Paulistana, célebre teatro que à época era o centro nervoso do experimentalismo musical na capital bandeirante. Em 1986, participou da trilha sonora do filme Cidade Oculta, de Chico Botelho, com a excelente Pregador Maldito, de autoria de Paulo Barnabé. A fita, uma instigante paródia de filme policial noir estrelada por Arrigo, Carla Camurati e Cláudio Mamberti, teve ótima receptividade de público, o que facultou a Paulo e sua gang um contrato com a WEA. No ano seguinte a banda enfim lançaria seu primeiro lp, Corredor Polonês. Infelizmente, contudo, a ousada fusão musical que praticavam não obteve repercussão comercial suficiente, de modo que a gravadora logo se desinteressaria pela banda."Também importante citar que nesta época a Patife teve a participação de Zé Eduardo Nazário(o que muitos nos históricos dessa banda não relatam)na bateria nos shows ao vivo no período de 1987 até 1989.Sem apoio e viabilidade radiofônica, a Patife Band ainda resistiu até 1990. Neste período considerado hiato, que não fora tão hiato assim, Paulo Barnabé continuou com a Patife em várias line-ups que contaram com os músicos como Emmerson Villani(Paulo Miklos,Funk Como Le Gusta),Marquinhos Costa(Maria Rita),Vilson Ignácio(Banda Azul),Edu Batistela,Paulinho Wesley,tendo nesta época composto "The Big Stomach"que quase fora lançado pela Paradoxx Music, justo na época em que convidamos Paulo para convidado do Cd do Beco.Soma-se ainda o fatídico show que fizemos em Cornélio Prócópio a convide do primo do Paulo com o Emmerson e o Marquinhos que entrou para os "anais da banda Beco". Lembro-me ainda que o Edú Batistela dizia que o próprio Primus(não a cerveja,mas a banda canadense)o consideravam sua maior influência."Mas,12 anos depois, em 2002, a WEA relançaria o álbum em CD, mas a falta de divulgação e o desinteresse geral de nossa malfadada imprensa 'cultural' por artistas inventivos não possibilitaram um renascimento para a banda. Todavia, em 2004, como não raro sói ocorrer com o que de bom é feito em nosso país, a Patife Band foi redescoberta pela gravadora inglesa Soul Jazz, especializada em música experimental de todo o planeta, que incluiu a faixa Teu Bem (cá pra nós, uma má escolha em se tratando da obra da Patife Band) numa excelente coletânea dedicada ao post punk paulistana, The Sexual Life of the Savages - Post Punk From Sao Paulo, Brazil. Animada quiçá por esse revival, no ano passado a banda lançou o CD Ao Vivo, gravado no Festival Demo Sul, em Londrina."Atualmente ví o Paulinho segurando a bateria com competência e cantando em turnê por Curitiba com o Arrigo e o Paulo Braga nos teclados e o Emerson Villani novamente assumindo o posto de guitarrista como Arrigo Barnabé&Patife Band...criptonita pura...
Banda Beco&Patife Band em Cornélio Procópio...Um Encontro Histórico
Fora os 14 gatos pingados que devem ter estado no ginásio municipal de Cornélio Procópio naquele dia(isso fora por volta de 1995/1996), eu me lembro bem do dia em que um primo do Arrigo e do Paulo Barnabé entrou no Beco Bar e jogou a proposta ao Jack:-Quero levar o Beco e a Patife para tocar em Cornélio...Ótimo disse o Jack e já armou a banda e o nosso equipamento(fantástico(...), diga-se por sinal quatro caixas de P.A com auto falantes Selenium, uma mesinha Mack de oito canais, três microfones com pedestais, dois monitores de palco e alguns equalizadores de audio, mais uma potência EMC..este era o patrimônio de audio do Beco na época) e tocamos o barco para Cornélio.Nosso equipamento devidamente montado e a minha bateria(uma pinguim récem adiquirida toda equipada com Zildijians,Paiste,Remo,etc.) num platô de mais ou menos uns 3 metros para não dizer o mínimo...até que chega a Patife para o check-sound..para começo de conversa o Paulo já pede para baixar aquela bateria de lá e montá-la no canto esquerdo do palco para dar visibilidade por igual, ai chega o baterista deles o Marquinhos Costa(mal sabiamos que alguns anos depois o próprio iria produzir o primeiro play da Maria Rita e pegar a fama de ser o Pai da filha dela..),que achou tudo lindo, o som da batera,etc..na guitarra Emerson Villani com um Gretsch Laranja semi-acústica e no Baixo o Vilson Ignácio, mais conhecido como "Teobaldo"(apelido dado pelo Tinho,baterista amigo nosso).A passagem de som deles acabou sendo um ensaio..ok resolvido os problemas de audio, todos ao Hotel.Chega a hora de ir ao Palco e banda Beco começou a tocar para preparar o terreno para a Patife, sucedem-se os dois shows, com um público pagante bem menor do que se esperar(só para variar...).Logo de manhã, quando todos acordaram no hotel para irem de volta a Londrina, encontramos um Paulo Barnabé meio avesso a conversa, ao que eu perguntei: e ai Paulinho, tudo Certo? e ele: - Não velho, tudo errado!! Ao que descobrimos que os músicos dele(da Patife) não conseguiriam ser pagos(só para variar novamente..), imaginem a Banda Beco...e papo vai, papo vem, depois deste show nem mais sombra vimos da Patife Band...só tive notícias mais ou menos uns 11 anos anos depois com um breve intermezzo quando encontrei Paulo Barnabé em boteco paulistano perto da Pedroso ao lado da Cultura Inglesa de pinheiros, lamentando a doença do seu colega de andanças Itamar Assumpção...por isso que eu digo..o mundo do Rock Londrinense não é para qualquer um...
A NOITE EM LONDRINA
O Valentino,Araucana e El Gran Maúsoléo,Bar Brasil:Via Sacra do Rock Londrinense.O Vilão ja foi palco de várias bandas de Londrina, (Primos da Cida,Iguaranoise,Banda Beco,Marquinhos Diet,Otavio Vazzi,Bruca,Caradraz,Simone Mazzer...)Também com bandas de Curitiba e São Paulo,(Sotak Jazz,Djambi,Dalvvo, entre muitas outras. Bom, ai falar do Valentino é covardia:a lenda reza que o primeiro dono do Valentino foi um italiano que junto com ele trouxe a receita do "macarão bolonhesa", marca registrada da culinária do local.Bom, quando conheci o Valentino foi em 1991 e nesta época os donos meio que migravam de um para o outro até que se estabeleceram a Zanza e o Chamé como donos.A velha casa de madeira da Jorge Velho fora na verdade um porão de resistência artistica armada numa Londrina provinciana, que enfrentou muito desafios como "A Lei do Silêncio",que impedia bares e afins de propagar ruidos a partir das 23 horas da noite nos ditos bairros residênciais, tanto que a mairia das quintas e dos Domingo(dias de música ao vivo), os shows começavam entre 21 e 21:30 e Chamé já ficava apavorado se alguma banda tivesse o volume, digamos um pouquinho mais alto.Foi naquele palquinho de madeira, logo na entrada que o bar recebeu todas as edições do FILO e do FML, num desbunde de músicos, artistas, grupos teatrais, recitais de poeta incontáveis, fora a tradição que o Bar criou de ser patrimônio cultural da cidade.Bom, destas aves noturnas que rodavam o valentino haviam várias lendas urbanas criadas como os que faziam a "Via Sacra", estigmatizada no circuito: Cervejada do RU, Beco,Valentino(para os que não tinham carro), Maúsoleo, Pink Bar,Bar da Costela para a galera mais nova, e para o pessoal mais estilizado Vilão, Madalena(ou Sashimi da Solange)e o Bar Brasil, este último onde tive relatos de uma pessoa maravilhosa que não se encontra mais aqui e que foi o sogro de meu irmão, o Dr. Ravisio Faleiros, que me contara que sua despedida de de solteiro se realizara no primeiro bar da Cidade de Londrina, o Bar Brasil em 1950 quando o mesmo fora o primeiro delegado de Londrina.Este homen era amigo nada mais nada menos do que Buck Pittman,famoso trompetista de de Jazz e pai da cantora Eliane Pittman. Assim, continuando um passada de quebra no Valentino e se tudo desse certo todos acabavam no sábado as sete da manhã no pastel da Feira ao lado do cemitério.
O PUNK DE LONDRINA IIAgora voltando a cena rock, o Mausoléo(mais conhecido como "bar do abelha"), próximo ao Pink Bar, proporcionou talvez os melhores e menos conhecidos momentos do Rock em Londrina, com direito a shows do Cólera, Ratos de Porão,bandas como o Elite Nativa,Magic Baloon,Cherry Bomb,Depois do Fim,GAF,Golgota,Convulsão,Farenheit 451,Ovos Presley(de Curitiba),Volkana,Nem Nome Tem,Core(liderada por Alexandre Bressan).Tinha o Reyzinho e o Cientista(batera e meu vizinho na época do Jardim Tókio)com o seu power trio punk Hard Money, detonando “I Wanna Be Sedaded”dos Ramones e The Clash com “Should I Stay or Should I Go”.O Cientista nos fala um pouco da escalada desta banda desde 1991:"Acho que com a nossa fórmula do "Faça você mesmo", que ajudamos a revolucionar o rock em Londrina e a partir disto surgiu muitas coisas , muita gente inspirada em nosso trabalho. Mas a banda não se limitou aos covers, fizemos várias musicas próprias que divulgamos (tocando ou em fitas demo/cds) pelo Brasil e exterior.Minha outra banda,a Surface teve seu cd Desafio (nosso 3º) foi eleito pela Rev. Dynamite o 6º Melhor Álbum Punk/Hardcore em 2007. Só ficamos atrás de bandas como Dead Fish, Ratos de Porão, Fresno ... que tem selos e produtores grandes por trás."(Cientista, Hard Money/Surface)Logo mais tarde 1997 o Cientista fundou a banda Surface que está na ativa até hoje, com vários Cds e participações em várias coletâneas de Hardcore de todo o mundo.Outro que que remete-nos a uma época anterior,aos anos 80(e provavelmente a moçada que cita por acaso estudou comigo no Universitário,conheço as figuras..)foi o Daniel:"Nessa época, de Desordem e Regresso, de Abelha, Toco, Cibié, Feijó, e outros que iniciaram a cena punk em Londrina, eu ainda não fazia parte disso. Porém, uns 4 anos depois, lá pelo ano de 1991, com 14 anos, começamos a fazer parte de tudo isso, a curtir punk rock / hard core, a frequentar lugares como Mausoléo, Bar Brasil, Potiguá e Valentino, a montar banda...e assim foi por boa parte da década de 90".Outra testumunha,uma jornalista Londrinense também depõe uma fase de sua vida:"No colégio, já em Londrina, meu primeiro amigo foi o João, um português que tinha acabado de chegar de Lisboa para morar com o pai, dono de uns supermercados na periferia. O João era uma figura! Tinha um cabelão a la The Cure e gostava de música. Foi ele quem me deu a primeira fita K7 do Pixies, Doolitle. Tenho até hoje mas, ela não toca mais. Pronto! Comecei a ouvir Paulão Rock n'Roll na Rádio Cidade e o seu Azzylo Hotel.Depois, veio minha paixão avassaladora por um roqueiro que nunca nem toquei a perna. Foi o meu amor platônico mais bonito. Gastei todo o meu dinheiro no LP duplo do Iron Maiden na HM. Pronto! Era uma perfeita headbanger. Usava um tênis todo fodido, remendado com silver tape e tinha um outro preto da Maha, que comprei na Back Bone do Dinho, eita Dinho!!!!Amava o Convulsão e ia a todos os shows deles, todos. Quando o Marcelo (vocalista) passava, eu quase derretia. Era apaixonada. Tinha três discos do Black Sabbath, do Pantera (Vulgar Display of Power), e chorava quando tocava aquela baladinha do Metallica.Nossa! Quanta camelação. Ia da minha casa até o Gran Mausoleo à pé, saía de lá caindo pela rua de bêbada por conta do vinho sem-vergonha, ia comer um cahcorro-quente no bar do Esquisito e depois ainda ia para o Valentino. Tudo à pé. Isso sem falar no Aerobu (é isso?) que ficava na quadra de cima. Parei de ir no Mausoleo no dia em que saí de lá chorando, de medo, depois de um show de Death Metal".(Janaina ávila)O Maúsoleo era na verdade um grande barracão de alvenaria, transformado em local de shows para muitos das bandas punks da cidade.Lá também se revezavam bandas de Metal e psychobilly de fora.Com influências declaradas de Ramones, Who, Buzzcocks, N.Y. Dolls, The Jam e Clash, The Cherry Bomb mostrou que os anos de estrada, cultivados desde 1996, decretaram um fim no amadorismo. Boa de palco, a banda levou para o disco a garra das bandas indies Londrinenses. A realidade era que sem estes bares e as festas universitárias, não haveria como estas bandas sobreviverem, pois era a partir deles que as bandas fechavam as festas universitárias e shows no interior de São Paulo e todo o norte do Paraná. As bandas originarias de todas estas, vieram a dar frutos mais tarde em outras bandas como o Primos de Cida de Cambe, o Aborígenes Ho!(originário do Lepra). Lembrar das cervejadas que inicialmente começaram dentro no Campus da Uel e não lembrar de bandas como Santo Graal,Blue-Up,Escravos de Jó,Iguaranoise,PequenaLondres,Vórtice e das bandas onde tocaram os irmãos Galbiatti(Matéria Prima e o Madera foram algumas delas)e os irmãos Potumatti que surgiriam mais tarde como a banda Espíritos Zombeteiros é simplesmente não ter ido, não ter freqüentado e pronto! O Oásis do caos era o mínimo que poderíamos considerar sobre aqueles eventos.
Cervejadas na UEL – Um Caso a Parte (Cignus Book X-I)O Pequena Londres antes de adentrar o circuíto universitário, era uma banda que na época já havia lançado um vínil com composições próprias, mas talvez por esperam muito dos seus patrocinadores, muitos dos músicos originais pularam fora, restando ao baterista Rogério a missão de continuar com a banda.Na época novamente músicos como Kleber de Tarso e o Cantor e baterista Zé Roberto Fascio foram recrutados para preencher o vácuo deixado.O Iguaranoise era a banda do Daniel Belquier, tecladista que junto com o Marcelo "pastor",também fizeram fama nas festas do RU.Mais tarde tiveram a excelente idéia de recrutar a metaleira da banda Wet(entre eles o Tim Magno,trombonista)e mais outro colega do Marista, o não tão menos famoso hoje Ivão(Ivo Pessoa)para os vocais.O local que era casa do estudante em seu antigo recinto de refeições (O RU),onde as turmas formandas da Fonoaudiologia,Biologia e Odontologia abrigava todas as quintas e sextas feiras uma multidão que aportava o recinto, para tomar cerveja e assistir as bandas locais.A coisa toda começa as 8 da noite e seguia adentro até as cinco da manhã.O Piso já todo danificado daquele restaurante abandonado, não sei como se molhava todo de cerveja,urina e vômito dos cervejeiros de plantão.
Santo Graal: O Homérica História de uma banda LondrinenseQuem já começa nos relatando o ínicio do Santo Graal foi o membro original da banda Cassiano:"Bom, admito que não era um músico disciplinado, mas gostaria de falar para você um pouco do que eu lembro e de uns nomes de uns bateras que não encontrei nos textos antes que eu esqueça. Claro que posso ter passado batido ao não ter visto os nomes deles, mas vale a citação pois são amigos contemporâneios: Silvio Rabone (batera do Convulsão), Silvio Ligeirinho (batera do Gólgota), Pinduca (batera que tocou no Coyote Valvulado com o Osvaldo ET), Clebinho Tóffoli (puts, esqueci o nome da banda...hahahaha. A memória falhou. Sinal dos tempos....heheheheSeguinte, lembrei do show com equipamento mínimo que fizemos certa vez no CTU onde eu, o Osmani e o Marcos Angélica - a primeira formação do Santo Graal. Pelo que você escreveu e o que recordo acho que foi em junho de 1991 e, pode se dizer assim, deu o start para as cervejadas dos anos seguintes até a proibição. Nesse dia, inclusive, o Renato e o Bruka fizeram uma jam comigo na batera e durante Purple Haze me lembro que uma corda do contrabaixo do Renato arrebentou e o som ficou ainda mais louco, pois ele não parava de pisar no pedal de wah wah. Foi ducaralho, nunca me esqueço dessa cena".
O Santo Graal era a banda um banda Autoral e de covers que tocavam Iron Maiden, Metallica, Led Zeppelin em bares como o Pink Bar.Desmontada esta formação(a original) o Jovem Fernando Castro passa para o baixo depois de o Sergio voltar a tocar com o Gigo e o Júnior Caminhoto. Como diria o Osmani:"O Santo Graal era daquelas bandas que não queriam perder tempo em agradar o público.Tocavam o que gostavam e ponto final.A primeira formação chegou a gravar uma demo bem tosca gravada com bateria eletrônica e a formação liderada pelo guitarrista Osmani Jr. tinha Marco Aurélio no baixo e Cassiano na bateria.Lembro bem que a bateria era de programação digital e as letras de Osmani versavam sobre crises existênciais e sindromes juvenís(tão em voga a época..).
As Cervejadas do R.U. - Um Caso a Parte II (Cignus Book x-II)
Assim, o SG Foi uma das primeiras bandas a tocar no campus da Uel,meses antes até a proibição da reitoria junto aos CAs(Paulo Briguet e Preto que não me desmintam,pois eles estavam lá...).Portanto a cena só realmente estourou quando das festas no RU.O Paulo Galvez nos dá um testemunho:"...também promovemos a melhor cervejada que a UEL já teve, com a saudosa Schincariol e as bandas Calabresa 4 e 50, Aduana, Beco e... (tinha mais uma). Putz. Isso foi em 1994... " Ai é que a coisa toda pegou fogo... Nesta época que é um pouco antes de as cervejadas começarem na Uel, Kadú assume a bateria recentemente vindo do sul de Minas onde passou dois anos estudando em conservatórios. Está formação durou até 93/94 , quando Kadú já assumia o posto na banda Blue-Up.Os remanescentes do Santo Graal continuaram:Fernando Castro depois de uma época também no Blue-Up investiu mais fundo, fazendo as malas com o baterista Luiz Marcelo(até este momento ex-beco e ex-banda azul e Uquiah Dibô,tendo já se apresentado com Tetê Espindola) e sua esposa na época Sabrina Vargas indo morar em New York, onde os dois participaram das bandas Deep Sea Adventure e Blooka, esta última uma vencedora das “Contest Bands”, concursos de bandas muito famosas no EUA.Mas como tudo tem o seu fim, os dois hoje atuam no mercado como músicos de estúdio um em Londrina(Luiz Marcelo)e Fernando como produtor da Cube Procuctions em São Paulo , prestando acessória para DJs como o Dj Ramilton do grupo Caleidoscópio.Já o Osmani, coninuou a ministrar aulas de guitarra particular e veio mais tarde a tocar com diversas bandas como a banda Wet,Set Satélites,US 9 e o Londrina Soul já nos anos 2000 e atualmente está em um projeto com Sidney Giovenazzi.O Blue Up com Gigo nos vocais,Júnior Caminhoto na guitarra e Sergio no Baixo,era mais uma das formações flutuantes desta banda, que depois substituiu Sergio por por Valdir Castro. Esta formação do Blue Up durou até a gravação de uma demo que não chegou a ser realizada. Kadu passa a tocar com a banda Beco, e Gigo e Júnior passam a fazer um Duo acústico que mais tarde teria Marcelo Mendonça nos vocais e harmônica.Esta última formação se apresentou com grande êxito em São Paulo no CCSP e demais locais do Brasil, tendo gravado em 1997 o CD Blue-Up, onde os mesmos fazem releituras de alguns blues clássicos de Muddy Waters e mais algumas composições próprias em inglês.O Blue Up de todas as bandas de Londrinas foi a que mais durou.Ela começou em 1989 e provavelmente até hoje está na ativa.Dos músicos que passaram por esta banda estão a maioria dos que estão sendo citados nesta história do Rock Londrinense. Sua formação atual hoje conta com o baterista Amarildo(ex-aluno meu..),Guto Caminhoto no Baixo e Júnior nas guitarras e vocais.
ELITE NATIVAUma das bandas que constantemente fazia o suporte de bandas como o Beco e Iguaranoise na época foi o Elite Nativa, uma banda que na época ainda estava procurando oportunidades para se apresentar.Abriram muitos shows, conseguirão espaço nas festas de Londrina e região como sucesso garantido, pois adotavam um estilo meio "Planet Hemp",que a moçada mais nova se identificava."O Juninho do Elite" como o chamávamos foi uma das grandes figuras de destaque nesta época.E pelo que eu saiba continua na ativa com a Elite Nativa tendo participado de uma coletânea de bandas de Londrina no inicio dos 2000:"Formada em 1996, a banda Elite Nativa conquistou rapidamente um grande público alternativo da cidade de Londrina. Com o repertório cravado no puro rock, a banda ganhou espaço na mídia londrinense quando foi convidada para abrir o show do mestre do blues brasileiro Celso Blues Boy, na grande Metamorfose, festa à fantasia tradicional da cidade. Em 1998 teve grandes participações no cenário local, dividindo palco com várias bandas renomadas no cenário nacional como Ira, Raimundos e Karnak. Em 1998, passou por problemas de fomação com a saida do vocalista e líder do grupo, que foi para os Estados Unidos. Em Janeiro de 2000, retomou suas atividades e logo participou de "Pé Vermelho", um CD coletânea que contou com cinco bandas londrinenses. As duas faixas do CD são "Cê Que Queima" e "O Golpe", que mostraram que a banda ainda está pronta pra qualquer coisa".
IVO PESSOA&IGUARANOISEVoltando ao inicio dos anos 90,antes do Iguaranoise existir lá pelos idos de 1993,surge o “Ivão” como nós os chamávamos vindo de uma temporada em São Paulo.Simpatia pura, bem humorado e cheio de suingue ele meio que aparecia do nada.Mostrou-nos uma canção dele chamada “Gesso e Gesto”, puro reggae com forte tendência soul, deixava-nos todos de queixos caídos, sem entender o que mais nos impressionava:se a voz ou canção em si!A interpretação era tão visceral, que não sabíamos se a voz era boa por causa desta canção ou se a canção era boa por causa da sua voz.Ivo pessoa sempre fora aquele cantor/compositor pronto para qualquer coisa.Do pop ao Rock,do Sertanejo para o pagode:você pedia ele cantava ou compunha e pronto!Era o Ivo..reconhecível do primeiro acorde ou compasso.Como todos nós também vagou por aqui e por ali em busca de reconhecimento num barzinho,numa cervejada da Uel,cantando blues, RocknRoll,Tim Maia,Ed Motta,James Brown.Fez parte da inusitada banda Iguaranoise, que mesclava músicas pop do momento e como o Beco fez parte do movimento “só tocamos cover em Português”.Lembremos que na época (94/95)o Brasil era Tetra Campeão,Fernando Henrique tinha criado o Real, enfim, era aquela euforia Tupiniquim que invadia as festas e parecia funcionar muito bem e dar algum lucro às bandas! Afinal que iria pagar as “brejas” e o sustento destes músicos? Do Iguaranoise também saíram Daniel Belquier(teclados)que foi o seu fundador e mais tarde se debandou para o Rio de Janeiro, seguindo os passos da companhia Armazém de Teatro por onde até hoje se saiba trabalha com trilha sonora para teatro e Marcelo Pastor o baterista da banda que depois de algum tempo assumiu os púlpitos e baquetas da sua igreja e hoje vive feliz com Jesus!Amén...
Brincadeira que Ficou Séria e Virou Negócio
Engraçado notar que muitos dos comparsas de banda, hoje são donos de estúdios,equipamento ou produtores de evento ou produtores musicais de música eletrônica, políticos e afins.Como o Marcelo da braço direito produções, o Fernando Castro da Cube Produções em São Paulo.Foi a dita brincadeira que virou profissão e se diversificou pela própria necessidade.De momento e conveniência é claro.Muitos aproveitarão a boa onda de financiamentos de projetos em Londrina pela secretária de cultura, na época da Gestão de Bernardo Pelegrini, e..fizeram direito, tanto que hoje Londrina pode se gabar de estar no calendário cultural das grandes capitais do país, com direito a sediar 2 festivais de Rock(Demo Sul e o Grito do Rock),notas em revistas como a Rolling Stone.Creio que para muitos de nós, os sobreviventes e os não sobreviventes, restaram os estúdios como o Sonora do Angelo e Luciano Galbiatti, o estúdio Up do Julio Anizeli e do Gustavo Potumati,que são exemplos de gente que está na ativa até hoje na música de Londrina:"No final dos anos 90, a banda Madera chacoalhou o cenário londrinense, arrebatando fãs e garantindo público em todos os locais onde tocava. Quando o grupo se separou, em 2001, Angelo (guitarra) e Luciano Galbiati (bateria) mergulharam no estúdio Áudio Sonora (www.audiosonora.com.br) para se aprofundar na parte técnica. Hoje, quase quatro anos depois, o Áudio Sonora virou também uma escola de música e ensaia um vôo mais alto, tornando-se um selo com mais de dez discos em catálogo."(Ranulfo Pedreiro).Outros como o Walnei do Subtera enquanto estava em Londrina também se dedicou a locação de equipamentos para eventos.
MARQUINHOS DIET
Marquinhos Diet dava as primeiras pinceladas em seu trabalho quando as cervejadas estavam no auge.Eram comum quando a turma de estudantes do CECA(Uel) se encontravam na rua Jorge Velho, entre eles o Araçatubense Paulo Briguet,Pafú,Agda Souto,Ranulfo Pedreira,Aletéia Selonk(irmã da atriz patrícia Selonk) na Toca do Coelho(que depois virou o bar do Peter que era lá em cima perto da Rua Araguaia) e o próprio para “desenterrar” as lembranças da década de setenta como a conguinha azul, o Diplik,a Gretchen,a Katia,Gengis Khan, enfim tudo aquilo que ia do lixo ao luxo,mas entretanto nada mais do que jogar papo para o ar em mesa de bar!(bons tempos aqueles!).Destes papos casuais, belo dia, Marquinhos aparece na Toca com um “Efeito Pretérito” prontinho e com a seqüência do pout-pourri que o mesmo editou e arranjou.O Márcio Américo também testemunha:"Conheci o Marquinhos Diet na época em que eu trabalhava como redator na rádio Transamérica FM, por volta de 1995, ele ganhara um concurso com a música “efeito pretérito”, uma homenagem aos hits bregas.Depois disto tenho acompanhado o trampo deste maluco talentosíssimo… uma de suas músicas que mais gosto e ouço é “no dia em que eu ficar milionário”….(
http://meninosdekichute.zip.net/ach2007-09-02_2007)Tanto é verdade que destes papos de bar saíram parcerias com Paulo Briguet, na época já conhecido da turma como talentoso crônista.Mais tarde no mesmo ano Marquinhos vem a ganhar o primeiro Festival de MPB de Londrina em 1994, de lá gravou uma Demo que foi parar no Fest Valda! Eu lembro dessa demo: um belo dia fomos eu e o Marquinhos na sua cidade em Paranavai(depois de horas em ônibus do Expresso Maringá) gravarmos uma fita demo no estúdio de um camarada seu,lembro de passarmos a madrugada todinha gravando umas 5 canções suas.Não deu outra...nosso raulzito bicho do Paraná “papou” o primeiro lugar “solito” cantando “Efeito Pretérito”! Ai veio a glória, o Clipe com Tisuka Yamasaki vinculado brevemente na MTV(outra banda que teria lugar ao sol na emissora paulista seria o Primos da Cida) e um exilo de dois anos no Rio de Janeiro,que gerou parcerias com a poeta Matilda Kovac em “O Dia Em Que Eu Ficar Milionário” e a clássica canção “Deu Tempo de Engolir”(onde o mesmo conta a proeza de engolir a ponta de um cigarro de maconha a beira da lagoa Rodrigo de Freitas) que fez Marquinhos repensar se era aquilo que o mesmo iria fazer de sua carreira e sua volta triunfante para os braços do bares de Londrina.Agora quem conta a história é o próprio:"Eu estava morando em Londrina em 94, quando recebi uma correspondência da produção do FestValda, um festival universitário de rock que acontecia em São Paulo e no Rio. A música "Efeito Pretérito" havia sido classificada para a etapa final no antigo Palace. Ficou em primeiro lugar e eu fui para o Rio, pois tinha que gravar os prêmios lá: videoclipe com direção de Tizuka Yamazaki e um CD single pela Warner. Após três anos resolvi retornar a Londrina. Passei a me apresentar com os amigos Zé Roberto (baterista) no pandeiro e Makagutti no bongô. Depois entrou o baixista Fernando Stelzer, o Badaro. E fomos aos poucos atraindo grande público na região. "Meus amigos ganharam apelido: Cozinha Boca-de-Caçapa. Gravamos com essa formação em 2001, o CD ao vivo "Habitantes do Planeta", no Bar Valentino. Agora estamos com esse novo disco, "Lagartas", feito no estúdio Audiosonora dos irmãos Galbiatti."Seu último trabalho, "Lagartas"(que na verdade é uma afirmação de sua crença espiritualista),veio muito da época em que retornando a Londrina Marquinhos começa a se aprofundar na literatura espírita(vide Kardec) e por amor incondicional por Raúl Seixas, leu o livro "Um Roqueiro no Além" psicografado pelo médium paulistano Nelson Moraes tê-lo impressionado significadamente.No livro, o espírito "Lúcius", relata sua experiência "post-mortem" deixando claro que se trata do velho "Raúlzito". Esta é a fase em que a Cozinha Boca de Caçapa esta mais afinada e que teve na gravação de "Lagartas" a participação de Sabrina Vargas nos vocais, com Zé Roberto na bateria e nos vocais, Fernando no baixo e Malaguti na percussão, ambos os dois terem vindo da banda Filhos de Sta.Maria,banda da mesma formação que sucedeu o desastre do show de lançamento do CD do Beco e das dívidas intermináveis.
BRUKA Y LOS DOSBruka também depois da separação do Beco avançou formando mais tarde o Bruka Y Los Dos, onde pode mostrar aquilo talvez viesse a ser a Banda Beco se tivesse continuado, com o auxilio de Parceiros como Adriano Garib na composição “Quem que tu pensa que tu é”.Esta canção era da extinta banda Karadrás que fora formada pelo Alex Hussmeyer na bateria, pelo Valdir Castro no baixo e pelo Bruka na guitarra tendo o então jornalista na época Adriano nos vocais e letras.Mais tarde Adriano sobe para Rio de Janeiro e investe em definitivo em sua carreira de ator, onde atuou na TV globo e no teatro.O Bruka y los Dos teve no estúdio Up a participação dos músicos Phillipe Barthem,Tinho Lemos,chegou a gravar no estúdio Up em Londrina antes de zarpar para São Paulo onde cairia de cabeça em sua profissão de jornalismo.Bandas como a Boca de Caçapa,Filhos de Sta. Maria e Bruka Y Los Dos, também se apresentavam no Vila Pirata, um bar temático criado pelo Eduardo Afine,mais conhecido como “Quatá”onde noites similares àquelas do Beco aconteciam. Só que ninguém na cidade àquela época esperava que surgiram a “Lei do Silêncio”, fazendo com que aquela cena até então emergentes nas casas de Londrina viesse a se dissipar com as bandas e músicos partindo para outros centros do Brasil como São Paulo, Rio e Curitiba montando outras bandas ou atuando como músicos de estúdio ou produtores de Jingle e trilhas de Teatro. Voltando a falar em Zé Roberto Fascio,baterista e cantor originário de diversas bandas de Rock na década de oitenta e noventa, o mesmo já assumira os vocais da banda Pequena Londres, junto de Rogério Oliveira na bateria, Kleber e Negrete e o Rei,logo depois na banda Filhos de Santa Maria e finalmente como baterista na banda Boca de Caçapa. Dos remanecentes do Mausoléo, Alexandre Bressan (ex-Nix e Core)começa a atuar em estúdio, o resto da banda com locação de equipamentos e o Marquinho Tureta(convulsão) que foi para para o teatro, o Marcelinho Domingues baixista que tocava com esta turma,mais tarde como fiquei sabendo criou o Festival Demo Sul, trazendo bandas como a Patife Band,Gram,Patrulha do Espaço, Starfish 100(na qual Kadu Guariente te a oportunidade de gravar e fazer shows em São Paulo), transformou aquele cenário independente em negócio e hoje trabalha com os maiores produtores de festivais independentes do país, tendo trazido para Londrina O Grito do Rock, um festival itinerante que passeia pelos país, caçando talentos da cena independente.Juninho Tófoli, depois de um tempo com a Elite Nativa vai morar em San Francisco na Califórnia. Volta novamente com outros projetos e o Rey do Hard-Money também passou por outras bandas e agora depois do todo o Punk está na música eletrônica com o projeto Plastic.
Festa Mimetismo&Camuflagem, que virou Festa Metamorfose:O Auge do Rock Londrinense!
A História é a seguinte:dois malucos, estudantes de Biologia na Uel, decidem fazer uma festa a fantasia em sua república.Jaú e Rogerinho como eram conhecidos, investem na produção destas festas e de simples estudantes de Biologia na Uel tornam-se “promoters”das altas rodas Londrinenses e começam a investir na brincadeira. Quem lembra um pouco mais deste tempo é o jornalista Ranulfo Pedreiro(atualmente no JL),vulgo "Preto":"lembro bem do início, em uma república do pessoal de biologia atrás do vicente rijo. em uma das festas, havia apenas um guitarrista fazendo covers de Jimi hendrix. Alguém, não sei quem, deixou cair um tubo de lança perfume que quebrou em cima do meu tênis. O povo ia fantasiado, mas não muito. Lembro do Billy e da Kioko vestidos de cogumelos... De um cara fantasiado de chuveiro, a festa era muito engraçada."A festa no segundo ano vai para a Chácara da Coca Cola em Cambe e a produção também vai ficando a cada ano mais vasta!Surgem o Festival Rock Gol que teve que transferir o show do Planet Hemp para Cambe,por causa do celeuma causado pelos cariocas D2 e Black Alien e toda a explosão que o surgimento do movimento mangue beat no nordeste causou na postura das bandas. Foi a oportunidade que bandas como a minha, o Beco puderam dividir o palco com Celso Blues Boy, Karnac, Os Patrões de Jaú, Banda Madera e assim foi evoluindo até o que é hoje. A banda Elite Nativa foi uma das que fez o nome tocando na metamorfose.Formada em 1996, a banda Elite Nativa conquistou rapidamente um grande público alternativo da cidade de Londrina.Com o repertório cravado no puro rock, a banda ganhou espaço na mídia londrinense quando foi convidada para abrir o show do mestre do blues brasileiro Celso Blues Boy, na grande Metamorfose, festa à fantasia tradicional da cidade. Em 1998 teve grandes participações no cenário local, dividindo palco com várias bandas renomadas no cenário nacional como Ira, Raimundos e Karnak(o que aconteceu com todas de Londrina que participavam). Em 1998, passou por problemas de fomação com a saida do vocalista e líder do grupo o "Juninho", que foi para os Estados Unidos. Em Janeiro de 2000, retomou suas atividades e logo participou de "Pé Vermelho", um CD coletânea que contou com cinco bandas londrinenses. As duas faixas do CD são "Cê Que Queima" e "O Golpe", que mostraram que a banda ainda está pronta pra qualquer coisa.Resumindo,a maioria afirmam que as festas memoráveis foram aquelas que ocorreram na república do pessoal da Biologia, que ficava quadras de onde eu morava, perto da Rua Jorge Velho(atrás do Moringão), de é que a festa tomou rumo diferente.Depois da consagração, ficou bem mais dificil de ver as bandas locais se apresentarem, mas ainda bem que eles ainda chamam bandas como o Ira! e Ultraje a Rigor e Capital Inicial..menos pior...
SONHOS DE CONSUMO E MÚSICAEm meio à década de oitenta, nada era melhor do que colecionar vinis,tocar sua guitarra ou bateria e Londrina era um típico oásis no meio do Paraná.Santos Som Studio,Avalon,Jardim Elétrico,sessão de discos e fitas das Lojas Americanas.A Avalon foi aonde herdei boa parte da minha coleção de Vinis que tenho hoje(dos heróicos vinis que sobraram das dezenas de repúblicas e casas que morei).Lembro-me bem:Guns N Roses, Sepultura(da época "podreira"),Frehley's Comets...eram os idos de 1987. Em relação aos instrumentos tínhamos a Musical na época a grande fornecedora da região para Bandas Marciais,de Baile e os roqueiros e músicos afins.Dois funcionários desta loja no futuro iriam ser proprietários que hoje é a Armazém do Músico:Edno e Nana(Ananias).No fundo eles eram os grandes camaradas que nos esperavam do lado de dentro da porta e acompanharam a virada na década de noventa com relação ao início de importação de instrumentos.Já existia a Sonkey também.Ainda por oitenta nos contentávamos com as baquetas Ibañes,acordoamentos Gianini(e guitarras,baixos,etc.)e por algumas tentativas iniciais de se vender Video-Aulas em VHS.Quanto às lojas de vinis, tudo o que estava acontecendo na mídia da época chegava facilmente às lojas.O Vídeo Disc Laser era a grande tecnologia da época e o CD ainda vendia timidamente devido ao seu alto custo e pouca catalogação de seus artistas(principalmente os de Rock!).A década de noventa chegou, e as novas tecnologias tomaram de assalto o que restou daquele mundo de discos maravilhosos e instrumentos corajosamente nacionais.Alguns sobreviventes na década de noventa continuaram a vender vinis,mas em sistema de Sebos como o Jardim Elétrico e na mesma famosa galeria existia a Brasiks do Fabinho e do Pulga, vendendo instrumentos por compra,venda e consignação atraem uma turma antenada com equipamentos,guitarras e pedais.Fabinho veio a montar com o Mungo a Banda Ouvidos Calados na década de 90 com o Fabio Mungo(que depois veio a sofrer um acidente que o deixou paraplégico e neste acidente estava outro amigo nosso o Zezinho que ficou cego e já foi vereador em Rolândia).Eu lembro do Fábio mas mais do seu primo, por que na década de oitenta eu e os meus primos Paulo Roberto e o Luis Otávio(hoje renomado instrumentista Curitibano tocávamos na Katacumba em Rolândia, que era um espaço de grupo de jovens que havia na Paróquia(mais ou menos o que o Osmani e o Fernando faziam no grupo Paz na Terra em Londrina, mas estas peculhariedades eles não contam não...só aqui!)e o Fabio pelo que eu me lembro estava sempre envolvido.Bom o Ouvidos Calados é uma banda de rock nacional originária de Rolândia e formada por músicos Rolândienses,com suas influências voltadas para o que se fez de mais verdadeiro nos idos de 80 e 90, deixando-se até os dias de hoje aberta para as mais diversas viagens musicais.Fabio Mungo formou a banda no inicio dos anos 90,os integrantes foram e voltaram e hoje a sua formação conta com Marano no baixo, Fred Chaves na guitarra, Marcão na batera, Fabinho nos vocais, Luciano na guitarra e F. Mungo, voz e letras,com direcionamento independente.Para completar,a Brasiks também era um ponto onde as bandas se encontravam e tinham um mural de recados onde poderiam arrebanhar bateristas e vocalistas perdidos para suas bandas.Aliás, muitas das bandas da época na região conseguiram gravar seus cds por que em meados de 90 o volume de produção independente no Brasil começou a acelerar.Tudo isso devido ao fato de todos agora já terem um aparelho de CD e a mídia(o cd em si) ter preço reduzido quando comprado em milheiros.Apesar das gravações ainda serem em Adats(tipo de equipamento de áudio da época) e em estúdios de gravação, já tínhamos alguma vantagem para termos o nosso “cartão de visitas” para produtores e promoters.Isso na época auxiliou muito as bandas a darem uma guinada profissional, como foram na época o caso do Chaminé Batom, Beco,Iguaranoise,Core entre outros.
Os Tempos da UELJanete El Houly,Elcio Muller,José Miguel Wisnik ,Murray Schaeffer e Arrigo,Demetrio Stratos e o Area .Você deve estar se perguntando: o que música contemporânea, UEL e Janete El Haouly tem a ver com o rock de Londrina?: meu amigo...Tudo!Vim a fazer dois vestibulares nesta época, em 1993 que fora o primeiro vestibular para o curso de música (na época não havia ainda bacharelado em instrumento e as salas eram divididas com o pessoal de Educação Artística no CECA) em licenciatura, eram os primórdios da pedagogia musical em Londrina.Professores como Mario Loureiro,Magali Kleber,Fátima Levy,Elcio Muller, Heloisa Castelo Branco mais a Janete El Haouly que era a época curadora do Núcleo de Música Contemporânea da UEL e professora de Análise e Estrutura Musical.Não era muito fácil lidar com um típico bando de músicos vindo do popular(eu,Flavio Marista,Rodrigo Serra,Luciano Silva,Marquinho Tureta,Ângelo Galbiatti,André Siqueira,etc.) e os que tinha uma formação vinda dos conservatórios da região ou de meio acadêmico, eram o Guto Caminhoto(fez só parte do primeiro ano),a Paloma Scuglia, a Satiko,...Assim, começo pela premissa que se não fosse pelas constantes audições e workshops ministrados por mestres como a Janete, Élcio Muller e Fátima Levy e suas citações de Köllreuter, mais as experiências eletro-acústicas de Guto Caminhoto(tanto em sala de aula quanto nos recitais na associação médica de Londrina), não teríamos as possibilidades deste leque sonoro que permitiu que estudantes como eu, Marquinhos Tureta, Daniel Belquer, Renato Alves, Marcelo Domingues, Luciano Silva, André Gião e André Siqueira nos diversificássemos tanto em tantas áreas quais sejam: o Teatro, a música instrumental, show-bussines e o Marketing. É válido afirmar que quando a música nos abre tantas e tão boas oportunidades de atuação, conseguimos visualizar muito mais do que uma visão estereotipada do que venha a ser um músico ou um artista.Aquela coisa de que músicos são pano de fundo para o Maestro, para o “Artista”, para o freqüentador de um bar ou um restaurante.Me lembro claramente de um comentário de Janete El Haouly, quando indagada por uma amiga que a estava convidando-a para um almoço em sua residência: Janete, que estilo de música botar para um almoço? Ao que ela respondeu:- Música para almoço? Existe isso?Mais uma das deliciosas provocações que a Janete instalava em sala de aula para nos questionar a respeito do significado e da significância desta arte no meio social. Fora é claro, os dias em que em nossas audições eram colocados diversos sons onde tínhamos que definir o sentimento que aquele som nos trazia. Com certeza as respostas eram as mais divergentes ao que a própria rebatia:-O problema não é com a música e sim com vocês mesmos! Resolvam os seus problemas, pois a música nada tem a ver com isso! Música não tem que ser boa,ruim,feia..música é música e pronto!Devo citar aqui que a sua tese de Doutorado na USP sobre a obra do anarquico roqueiro Greco-Egipcio-Italiano Demetrio Stratos(ex membro da Banda Pop "Ribelli", um tipo de "Os Incriveis" Italiano)que virou livro e já está em sua quinta edição na Itália.Fora o site tributo disponivel na internet sobre Stratos onde consta os créditos de pesquisa do site à própria Janete.Outros momentos bons foram os seminários do Professor na época da USP José Miguel Wisnik e o seu livro o "Som e o Sentido"e o Livro de Murray Schaeffer, "O Ouvido Pensante", que ajudou muito a moçada abrir a cabeça para os conceitos até um tanto bizarros,principalmente quando a formação da música tonal(esta que a gente toca e ouve hoje em dia) e dos conceitos de dodecafônismo, atonalismo, baseado em uma história das músicas de todos os tempos.Realmente em 2007 revi o prezado Prof. Wisnik no Hotel Glória do Rio de Janeiro quando a minha empresa está em uma exposição de tecnologia lá.Subimos juntos do Loft do Hotel , eu para o andar da exposição e para os quartos(deveria estar fazendo alguma apresentação ou seminário lá..) e o cumprimentei dizendo que havia feito o seminário com ele na Associação Médica de Londrina.Não é que ele lembrou?...Voltando a Janete, fora a parte da música contemporânea, ela usava muiot o Rock como referência para exemplificar o uso do famoso:Tom, ruído e mescla.Grupos como o Dead Can Dance, o grupo Italiano Progressivo Área e o trabalho vocal do cantor greco-egipcio-italiano Demetrio Stratos e a americana Meredith Monk faziam a cabeça da gente borbulhar naqueles dias. Era bacana por que a Janete apesar de uma cabeça pensante das poucas em Londrina, aceitava com resignação a nossa inexperiência musical.Foi muito engraçada minha audição de instrumento: Toquei na bateria um solo de jazz do baterista americano Kenny Clarke(fora o dia em que toquei em uma caixa o hino nacional Brasileiro em uma caixa de guerra, esta é uma das lembranças mais surreais que tenho...).E quem estava na banca.Mario Loureiro,Janete El Haouli e o Elcio Müller(não sei o que eles fumaram...mas eles gostaram e me aprovaram).Outro professor que temos que citar (como até o Mario Loureiro, já na época um adepto do chorinho..) foi o Elcio Muller, flautista virtuose e nosso professor de instrumento:Judeu,maluco beleza,palmeirense roxo e fã de rock progressivo.Não poderiamos ter tido um professor melhor.Ia nas cervejadas da UEL e ficava na frente do palco dando suas notas pessoais as nossas performances.Ele que nos apresentou bandas como o Gentle Giant, que apesar de ser um banda da década setenta, somente fomos conhecer através dele(In a Glass House, album de 1975..quem puder escute este álbum ..é um clássico). O mesmo era fan de Emersson, Lake and Palmer e de tudo que tivesse uma flauta.As suas performances solo com flauta barroca no Teatro Ouro Verde foram memoráveis até mesmo para os roqueiros mais radicais.Creio que hoje retirado do mundo artistico, as últimas notícias que tive dele foi a de que haveria se tornado um rabino em São Paulo(rabino mesmo, aquele de sinagoga).Fora eles também devo citar aqui a Magali Kleber(Piano), a Luci Schmit(de Técnica Vocal) e a Heloisa Castelo Branco(de Canto e Coral). Foram tempos bacanas lá estudando o método Gramani, mastigando literalmente o Pozzoli e o Bona guela abaixo...(e detalhe...o curso era vespertino..)
MÚSICA NOVAO Programa Música Nova da UEL e o curso de Licenciatura em Música:Rebeldia Acadêmica .As outras avassaladoras audições e inspirações vinham do programa Música Nova, talvez o mais audacioso projeto que a Janete criou para divulgar uma música que só é apreciada no meio acadêmico.O resultado disso, gerou perseguições políticas no meio universitário a sua pessoa, bem como a proibição de manter no ar o “Musica Nova”.As exprimentações de Jonh Cage, Pierrot Lunair, Luigi Nono e a Fabrica Ilumminata, os novos talentos da música eletroacústica mundial e nacional...Havia no nosso departamento uma audioteca com todo o material do programa disponíveis, onde podiamos emprestar o material para pesquisa e estudo.(espero que ainda exista...)Dava para perceber claramente nesta época que havia duas correntes dentro do recente curso de música da UEL: uma voltada a pedagogia músical que vinha de uma corrente erudita clássica e outra mais aberta com abordagem contemporânea.O intuito era de que os formandos de licenciatura ensinassem música contemporânea para os estudantes no futuro.Mas vá lá voçê fazer notações de gráficos sem um computador na mão em pleno 1994/95.Quem tinha equipamento disponível na mão, se dava bem quem não tinha...Sinto pena da nova geração de estudantes de música da Uel. Eles não passaram tempos tão revolucionários em Londrina como o programa Musica Nova, as cervejadas da Uel, o surgimento do Mangue Beat que se alastrou pelo Brasil,as primeiras festas da Metamorfose,incluindo até o Grunge dos americanos do Nirvana e do Soundgarden.Foi o último respiro de rebeldia “boa” que tivemos a oportunidade de presenciar.Em nossa época éramos um bando de roqueiros que estudávamos o erudito, o contemporâneo,o Jazz. Hoje é a turma do “Chorinho” de um lado e a do “Hermeto" de Outro.Para nós Hermeto era o cara, mas era mais um ao lado de Egberto Gismonti,Arrigo Barnabé,Robertinho Silva,Mane Silveira e mais um monte daqueles americanos e ingleses doidos.De Frank Zappa à Jonh Maclaughan, Elvin Jones,Miles Davis, Charles Mingus, Chick Corea, Steve Reich, Stravinsky,Varese, Guerra Peixe,Villa Lobos...e para relaxar um bom disco dos Stones ou do Kiss aos finais de semana para relaxar, pois ninguém é de ferro...Eram assim os dias do curso de licenciatura em música na Uel.
Curiosidades do Rock LondrinenseA Maldição da Demo Tape e do Primeiro CD,Beco Bar:Jack e Lenon que viraram Jonh e Lenon.Existia uma lenda em Londrina, que era como se fosse uma superstição(Yo no creo em brujas, pero que las ai,las ai!) que é a seguinte:“toda banda de Londrina que lança um CD ou grava uma Demo Tape,vem a se desfazer em um período de um à três anos”.E pelo que passei e vi todas as outras bandas passar parece ser uma destas maravilhosas coincidências: Pequena Londres lançou um álbum em 1994:durou mais dois anos e acabou.Ana&Banda lançou sua demo tape 1993:também não durou.Beco, idem..Blue Up, teve várias encarnações, mas somente conseguiu lançar um CD em duo(com o Marcelinho),flop...Espíritos Zombeteiros..Elite Nativa parece que só teve um CD também...não precisa comentários..Core..ao que parece somente gravou um cd...Agora, o que fazer para acabar com este feitiço que pairava sobre a cidade de Londrina?Será que todos os álbuns das bandas da cidade teriam se tornado o dito profetizado por Arrigo no álbum Clara Crocodilo, de que em algum sebo imundo de São Paulo até 31 de Dezembro de 1999 o ouvinte incauto que encontrar com um destes álbuns liberará a Clara...? Algum relato, Tesmunho?...mandem seus e-mails...
O João Henrique que era o Jack que virou Jonh, o Lenon que virou Yoko..
Quanto ao Beco bar que conviveu com o Jack e com o Lenon naqueles tempos idos, devem se lembrar que algumas confusões aconteciam no quesito apelidos.Muita gente no bar, por sempre chamar o garçom misto de "faz tudo e mais um pouco" de Lenon, começou a achar que o João Henrique "Jack" era o Jonh.Dai um dia no blog do Marcio Américo ter visto o próprio se referir ao falecido com "Jonh", me fez supor isto:Ok, obviamente se chamavam o Lenon para os servir, devem supor que o proprietário do bar se chamasse "Jonh".E o pior que tem gente que até hoje lembra do Jack com "Jonh"...Jonh...e Lenon...Jonh Lenon...palmas para isso...